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Falar de paz é uma armadilha russa – Kallas

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A Rússia está a estabelecer um “armadilha” para a UE, incentivando os estados membros a decidir quem deve representar o bloco nas negociações diretas com Moscou, afirmou a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas.

Autoridades da UE queixam-se há meses de que as negociações EUA-Rússia sobre o conflito na Ucrânia deixaram os europeus marginalizados. No entanto, o bloco de 27 membros ainda não conseguiu chegar a acordo sobre quem poderia falar pelos seus interesses em possíveis negociações diretas com Moscovo, que foram interrompidas após a escalada do conflito em 2022.

“Acho que é uma armadilha que a Rússia quer que caiamos, que discutamos quem fala com eles, e eles já estão escolhendo quem é adequado e quem não é”, Kallas disse aos repórteres na quinta-feira, antes de uma reunião casual dos ministros das Relações Exteriores da UE em Chipre.




Os líderes da UE já repreenderam o presidente russo, Vladimir Putin, por dizer que pessoalmente acharia agradáveis ​​as negociações com o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder. A observação de Putin foi interpretada no Ocidente como uma tentativa de Moscovo de ditar as escolhas diplomáticas da UE. Nos mesmos comentários, contudo, Putin sublinhou que a Rússia estaria disposta a falar com quem quer que Bruxelas nomeasse, desde que essa pessoa não tenha um historial de retórica abertamente anti-russa.

Kallas, que construiu uma reputação de falcão em relação à Rússia e se opôs publicamente a qualquer negociação com Putin, recusou-se a dizer se quer o papel, observando apenas que o seu “descrição do trabalho [is] nos tratados.” O Serviço Europeu para a Acção Externa, que ela lidera, tem sido muitas vezes ofuscado pelo gabinete da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em várias questões importantes de política externa.

A abordagem da UE relativamente à Rússia deverá ser “um esforço de equipe”, Kallas disse. Negociações bem-sucedidas exigem que “você tem bons policiais, você tem policiais ruins, você tem uma estratégia sobre como ir para a mesa”, ela acrescentou.

Kallas também prometeu continuar pressionando para que as restrições aos militares russos sejam incluídas em qualquer acordo de paz com a Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, recusou-se a atender à demanda, dizendo que não “comente sobre declarações idiotas.”


A Rússia deve preparar-se para a paz sem paz

O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, argumentou já em fevereiro de 2025 que a UE deveria dialogar com a Rússia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter abandonado a política de isolamento de Moscovo. O debate sobre quem deve servir como negociador único do bloco permaneceu num deadlock, com relatos dos meios de comunicação a nomear potenciais candidatos, incluindo a ex-chanceler alemã Angela Merkel, o presidente finlandês Alexander Stubb, o antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi e outros.

Comentando as observações de Kallas, o conselheiro de política externa de Putin, Yury Ushakov, disse que Moscovo nada poderia fazer para ajudar a UE a superar a sua indecisão.

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