Quase um quarto de todas as espécies de plantas da Terra – ou cerca de 55.000 floras únicas, por alguns estimativas – atualmente chamam o Brasil de seu lar. As Nações Unidas, na verdade, classifica O Brasil como a nação líder em “megabiodiversidade” do mundo, “inigualável por qualquer outra”. E, embora se possa atribuir esta impressionante riqueza ecológica apenas à porção de 60% da Amazónia no Brasil, permanece o facto de que a nação deve grande parte da sua megadiversidade a outra floresta tropical, menos conhecida, ao longo da sua costa oriental: a Mata Atlântica.
No início deste ano, uma equipa internacional de biólogos, imunologistas e químicos farmacêuticos descobriu algo interessante sobre uma planta endémica desta região. Folhas de Copaifera lucens Dwyer, uma árvore encontrada principalmente na Mata Atlântica, contém um composto químico capaz de neutralizante covid-19 através de um “modo de ação multialvo” que desativa o arsenal mortal de proteínas e enzimas do vírus, de acordo com o novo estudo da equipe.
“Muitos antivirais atuais atuam em apenas uma proteína viral”, de acordo com um declaração do farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), que coordenou este projeto.
“Um aspecto importante revelado por essas informações é o mecanismo multialvo do composto, que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência”, disse Bastos.
Em outras palavras, este composto – na verdade, uma variedade de extratos de Copaifera lucens chamados ácidos galoilquínicos – podem ser capazes de vencer a covid-19 de maneiras que o vírus não consegue sofrer mutações facilmente para evitar, retardando o impacto mortal de variantes futuras.
Não menos impressionante, a variedade de ácidos galoilquínicos encontrados na planta também parece inibir o HIV-1, entre outro propriedades antivirais e antifúngicas que inspiraram a nova pesquisa.
Taninos exóticos
Em última análise, os ácidos galoilquínicos encontrados em Copaifera lucens são um subconjunto de taninos, uma classe adstringente de produtos bioquímicos com os quais você deve estar familiarizado, provenientes das folhas de chá e do vinho tinto.
TOs pesquisadores encontraram mais seis subcategorias de ácido galoilquínico na planta, identificadas por meio de métodos de espectroscopia ultravioleta, após destilar esses produtos químicos de secos, pulverizados e especialmente tratados. C. lucens amostras de folhas.
De acordo com seu estudo, uma configuração molecular do ácido, ácido 3,4,5-tri-galoilquínico, exibido uma “forte afinidade de ligação” com os domínios de ligação ao receptor da infame proteína spike da covid-19, o mecanismo saliente pelo qual o vírus se fixa à superfície das células humanas.
Testes adicionais com estes ácidos, incluindo ensaios de neutralização de redução de placa, muitas vezes chamado o “padrão ouro” para testar o potencial antiviral, mostrou que concentrações seguras de ácido galoilquínico também aderiram e neutralizaram a enzima protease semelhante à papaína da covid, que ajuda o vírus a escapar das respostas do sistema imunológico, bem como a RNA polimerase, uma enzima essencial para a replicação viral da covid.
“Esta abordagem integrada permitiu-nos compreender como os compostos funcionam e como actuam a nível molecular”, explicou em comunicado o coautor do estudo Mohamed Abdelsalam, professor assistente da Universidade Delta de Ciência e Tecnologia no Egipto.
Compromisso de “desmatamento zero” do Brasil
O atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conquistou sua reeleição em 2022, em parte, em uma plataforma jurando para alcançar “desmatamento zero” líquido em todo o país. É uma promessa que Lula cumpriu em grande parte: dados do grupo independente de pesquisa de satélites World Forest Watch relatou que o desmatamento da Amazônia brasileira caiu 36% durante seu primeiro ano de mandato.
Os ganhos parecem especialmente impressionantes em meio ao desmatamento devido a incêndios florestaisque queimou uma área de floresta tropical brasileira maior que a Itália em 2024, para não falar das greves de funcionários públicos e das economias locais do mercado negro construído sobre apropriações de terras, exploração madeireira e mineração legalmente duvidosas.
A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo, que ajudou fundo a nova pesquisa observou que este projeto ressalta o valor da biodiversidade do Brasil não apenas para a economia do país, mas também para a saúde pública international.
“Faltam mais alguns passos antes que a substância possa ser desenvolvida num medicamento contra a covid-19, incluindo ensaios in vivo e clínicos”, observou a fundação. “No entanto, o estudo… também reforça a ideia de que a flora brasileira é uma fonte rica e estratégica para a descoberta de novos medicamentos.”













