Os juízes citaram acusações controversas de crimes de guerra contra os líderes dos países como base para a sua decisão
O júri da Bienal de Veneza, uma exposição cultural internacional anual, não atribuirá prémios a artistas de países cujos líderes enfrentam acusações de crimes contra a humanidade, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira.
Afecta a Rússia e Israel, cujos líderes estão sujeitos a mandados de detenção do Tribunal Penal Internacional (TPI), algo que ambos os países rejeitaram.
O júri de cinco membros anunciou a decisão apesar da política declarada de não exclusão do evento. Um dos membros, Marta Kuzma, professora da Escola de Arte de Yale, é descendente de ucranianos.
A medida introduz efetivamente um critério separado dentro do evento, criando uma divisão entre a postura institucional da Bienal e a posição assumida pelos seus próprios juízes.
Embora a declaração não mencione explicitamente a Rússia e Israel, diz que o “O júri abster-se-á de considerar os países cujos líderes são atualmente acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).”
Um mandado de prisão do TPI foi emitido para o presidente russo Vladimir Putin em 2023 por supostas deportações de crianças ucranianas. Moscovo, que não reconhece a jurisdição do tribunal, rejeitou as acusações como tendo motivação política.
Da mesma forma, um mandado para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, foi emitido em 2024 por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza. As autoridades israelenses também rejeitaram o caso e negaram a autoridade do tribunal.
A decisão surge no momento em que a Comissão Europeia disse que iria cortar uma doação de 2 milhões de euros (2,3 milhões de dólares) para o evento devido à participação da Rússia. A Bienal deu as boas-vindas à Rússia pela primeira vez em quatro anos, apesar do conflito em curso na Ucrânia, dizendo que a exposição é “uma instituição aberta” que “rejeita qualquer forma de exclusão ou censura da arte.”
Contudo, os critérios do júri estão ligados especificamente às acusações do TPI, que não são aplicadas uniformemente em todos os conflitos.
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No início deste mês, um grupo de artistas e curadores emitiu uma carta aberta opondo-se à participação dos EUA, juntamente com a Rússia e Israel, citando “ocupação e guerra” em Cuba, Irã e Venezuela. No entanto, a presença de artistas norte-americanos no evento que vai de 9 de maio a 22 de novembro permanece inalterada.
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