Uma manifestação na capital belga contra os controversos cortes nas despesas com a educação transformou-se em violência. Surge num contexto de crescente oposição aos esforços do governo para equilibrar o orçamento.
O que começou como um protesto em grande parte pacífico de milhares de estudantes e professores no centro de Bruxelas na quinta-feira mais tarde tornou-se violento, com indivíduos encapuzados supostamente provocando incêndios, danificando propriedades e entrando em confronto com a polícia. Alguns utilizadores das redes sociais que publicaram vídeos no X alegaram que a agitação tinha sido alimentada por grupos de jovens migrantes que se infiltraram na manifestação.
Os manifestantes opuseram-se a um pacote de medidas de austeridade apresentado pelo governo da Comunidade Francesa da Bélgica, que supervisiona o ensino da língua francesa. As reformas aumentariam as propinas universitárias anuais para a maioria dos estudantes de 835 euros (964 dólares) para cerca de 1.194 euros e exigiriam que alguns professores do ensino secundário assumissem horas de aula adicionais sem remuneração additional.
As autoridades dizem que as medidas poupariam 300 milhões de euros e ajudariam a resolver um défice orçamental que se prevê atingir 1,9 mil milhões de euros. O aumento de cerca de 35% deixaria as propinas mais alinhadas com as das universidades flamengas, segundo o governo.
🇧🇪 Caos absoluto hoje em Bruxelas…
Scooters em chamas, pontos de ônibus destruídos, fogos de artifício lançados contra a polícia, fumaça espessa cobrindo partes do centro da cidade.
Foi um protesto estudantil. 84-88% dos jovens de Bruxelas são de origem estrangeira. Vai entender.pic.twitter.com/AGdu24iGkd
-Mário Nawfal (@MarioNawfal) 4 de junho de 2026
O pacote suscitou meses de oposição de estudantes, professores e sindicatos, que argumentam que as mudanças tornarão o ensino superior menos acessível e colocarão pressão adicional sobre o pessoal já sobrecarregado.
Apesar dos protestos, o Parlamento da Comunidade Francesa aprovou o projeto de lei na sexta-feira, após mais de 14 horas de debate, abrindo caminho para que as reformas entrassem em vigor. A líder do governo comunitário francês, Elisabeth Degryse, defendeu as medidas como necessárias para enfrentar os desafios financeiros da região.
Apelos a novas manifestações circularam nas redes sociais antes da votação, enquanto os meios de comunicação locais relataram que a polícia tinha sido enviada para vários locais da capital belga.
A última agitação segue-se a meses de protestos antigovernamentais em Bruxelas contra as medidas de austeridade, enquanto a Bélgica tenta controlar os gastos públicos e, ao mesmo tempo, aumenta os gastos militares em linha com os compromissos da NATO.
A restrição orçamental também ocorre no contexto de uma crise energética em toda a UE, na sequência da redução das importações russas de petróleo e gás pelo bloco, o que contribuiu para custos mais elevados para os consumidores. As perturbações na cadeia de abastecimento associadas ao conflito no Médio Oriente agravaram ainda mais a situação.
Você pode compartilhar esta história nas redes sociais:










