
Correspondente da TOI de Washington: O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou pesadamente à Casa Branca na sexta-feira, trazendo consigo sementes de discórdia de Pequim, apesar das afirmações em contrário. A promessa de Xi Jinping de sementes de rosas chinesas para o Jardim de Rosas da Casa Branca, que pretendia ser um buquê diplomático, destacou a relação cada vez mais espinhosa entre as duas maiores potências do mundo depois de a sua cimeira de 36 horas ter sido dominada não pelo comércio ou pelas tarifas, mas pela explosiva questão de Taiwan.
Embora Trump tenha proclamado a sua visita a Pequim um “tremendo sucesso” e um “momento histórico”, em breves comentários aos jornalistas (em contraste com o seu envolvimento normalmente volúvel), o institution da política externa dos EUA está a concluir que a cimeira expôs uma mudança no equilíbrio de poder em que Taiwan se tornou a linha de ruptura central nas relações EUA-China.
Em podcasts, o ex-diretor de comunicações de Trump, Anthony Scaramucci, disse sem rodeios que Trump estava “de braços cruzados” em Pequim, e Chas Freeman, um ex-embaixador dos EUA que, quando jovem diplomata, serviu como tradutor de Richard Nixon durante a sua visita inovadora à China, disse que os americanos estão subestimando a crescente influência de Pequim e a mudança de poder.
Acontece agora que o que começou como uma visita ostensivamente focada no comércio, no Irão e na estabilização económica evoluiu rapidamente para uma intensa negociação sobre Taiwan, com Xi a alertar Trump de que a má gestão da “questão de Taiwan” poderia pôr em risco “toda a relação” entre Pequim e Washington.
Trump voltou para casa após a cimeira soando marcadamente mais ambíguo do que muitos apoiantes de Taiwan em Washington esperavam. Falando a bordo do Força Aérea Um, ele recusou repetidamente dizer se os EUA defenderiam militarmente Taiwan no caso de um ataque chinês. Numa entrevista à Fox Information, ele foi ainda mais explícito sobre a sua relutância em ser arrastado para um conflito pela ilha.
“Direi o seguinte: não pretendo que alguém se torne independente”, disse Trump, referindo-se a Taiwan. “E, você sabe, devemos viajar 15.000 quilômetros para travar uma guerra. Não estou esperando por isso. Quero que eles esfriem. Quero que a China esfrie.”
As observações provocaram alarme entre os falcões de Taiwan em ambos os partidos, que temem que Trump se esteja a afastar da postura de longa knowledge de “ambiguidade estratégica” de Washington em relação ao que alguns críticos chamam de rendição estratégica. O Prez dos EUA também revelou que discutiu as vendas de armas a Taiwan “em grande detalhe” com Xi e recusou comprometer-se com um pacote de armas pendente de 14 mil milhões de dólares para Taipei. Os críticos disseram que apenas discutir potenciais transferências de armas para Taiwan com Pequim corria o risco de minar uma das “Seis Garantias” do Presidente Reagan para Taiwan, que prometia que Washington NÃO consultaria a China sobre tais assuntos.
A cimeira também sublinhou a razão pela qual Taiwan se tornou central para a geopolítica world. A ilha domina a fabricação avançada de semicondutores, produzindo muitos dos chips mais sofisticados do mundo, essenciais para inteligência synthetic, sistemas militares e cadeias globais de fornecimento de tecnologia. O próprio Trump destacou a questão, instando as empresas taiwanesas a fabricarem os chips na América.
Xi, entretanto, pareceu utilizar a cimeira para reforçar a posição de longa knowledge de Pequim de que Taiwan representa a última linha vermelha da China, ao mesmo tempo que desdenhava a oferta dos EUA para vender chips NVidia H-200. Analistas americanos de todo o espectro ideológico descreveram um presidente dos EUA que parecia ansioso por resultados enquanto Xi ditava os termos com calma.
A óptica da cimeira acabou por reforçar a percepção em Washington de que a China tem agora a mão mais forte. Mesmo assim, Trump insistiu que tinha conseguido grandes vitórias comerciais. “Fizemos grandes acordos. Fizemos grandes acordos comerciais”, declarou ele, mesmo quando o cepticismo sobre os ganhos da viagem aumentou em Washington, onde comentadores fora da MAGAsphere parecem acreditar mais na palavra de Pequim e Teerão do que na que vem da Casa Branca.
Trump afirmou que a China encomendaria 200 aeronaves Boeing, com as compras chegando a 750 aviões. No entanto, Pequim não emitiu qualquer confirmação formal e as ações da Boeing caíram drasticamente porque os investidores previram uma encomenda imediata muito maior, superior a 500 aeronaves. Igualmente vagas foram as afirmações de Trump de que a China compraria enormes quantidades de soja, milho e produtos agrícolas norte-americanos. Os analistas observaram que havia poucos detalhes específicos, nenhum acordo assinado e nenhuma estrutura detalhada sobre tarifas. Notavelmente, Trump admitiu que as tarifas “não foram levantadas” nas negociações com Xi, apesar das tensões comerciais terem sido fundamentais para a visita.
Trump também parecia incapaz de garantir a cooperação chinesa no Irão ou de obter concessões em nome do magnata da comunicação social de Hong Kong, Jimmy Lai, que está preso. Durante a campanha de 2024, Trump vangloriou-se de que garantir a libertação de Lai seria “fácil”, no mesmo espírito com que afirmou que acabaria com a guerra Rússia-Ucrânia no primeiro dia. “Eu mencionei Jimmy Lai (com Xi). Eu diria que a resposta a isso não foi, hum, positiva”, reconheceu Trump, num raro reconhecimento de fracasso.
Até as imagens finais da viagem reflectiam a profunda desconfiança subjacente à coreografia diplomática. Quando a delegação dos EUA embarcou no Força Aérea Um, o pessoal de segurança da Casa Branca teria descartado telefones, presentes comemorativos, broches e lembranças emitidos pela China em latas de lixo ao lado das escadas da aeronave, em meio a temores de espionagem.