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‘Os britânicos não são tão descolados quanto nós – mas são menos quadrados que os europeus’: como o drum’n’bass uniu o Brasil e o Reino Unido

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CAgner Ribeiro de Souza não carregava muita coisa na mochila. Uma compilação native de sucessos de techno, home e selva, alguns recortes de notícias e uma fita VHS com imagens do clube onde tocava semanalmente: pequenos fragmentos de uma cena musical que ele, sob o nome de DJ Patife, e alguns amigos estavam construindo em São Paulo, Brasil.

Period 1998. Ele havia viajado para Londres para conseguir chegar ao escritório do Motion, uma das noites de drum’n’bass mais importantes da Grã-Bretanha, com um único objetivo: lançar uma edição da festa no Brasil. “Toquei aquela fita gravada no clube”, lembra Patife. “E quando Bryan Gee viu cerca de 2.000 pessoas cantando, ele disse: ‘Vamos para o Brasil agora mesmo!’”

A partir desse momento o drum’n’bass começou a fluir entre os dois países, na hora certa. “No closing dos anos 90, o drum’n’bass tornou-se um pouco aborrecido no Reino Unido”, diz Patife – o caos da selva, que emergiu no Reino Unido no início da década, estava a começar a ser codificado em faixas de drum’n’bass mais rígidas e machistas. O gingaou swing, do estilo brasileiro, enraizado em samples de bossa nova e instrumentação melodiosa, revigorou toda a cena. “Juntamos duas coisas espetaculares: a música brasileira e a música eletrônica”, diz Patife. “Todo mundo bebeu da fonte brasileira!” Por sua vez, o Reino Unido também “abriu as portas da música eletrônica britânica para o mundo latino, abrangendo desde pace storage até two-step e grime”.

Essa encruzilhada cultural – onde os sons brasileiros encontram o breakbeats e o baixo britânico – está agora mais vibrante do que nunca graças a uma nova geração de artistas de ambos os lados do Atlântico, como o produtor e DJ britânico Sherelle. “Há uma conexão pure entre o Brasil e o Reino Unido: nossos gostos musicais são muito vastos”, diz ela. “E se você vem de uma classe trabalhadora ou mesmo de uma classe baixa no Reino Unido, a música é realmente sua única maneira de escapar de certas coisas e se expressar, e percebi que [is the same] aqui para muitos artistas.”

DJ Patife em Londres, janeiro de 2004. Fotografia: Dosfotos/Shutterstock

Patife criou raízes em Londres, onde viveu de 2000 a 2017 antes de se mudar para o inside de Portugal, onde hoje é motorista de ônibus – sonhava ser antes mesmo de se tornar DJ – mas continua muito famoso no Brasil e no Reino Unido. Neste fim de semana ele se apresenta no Boa Novanovo pageant dedicado à música brasileira que acontece no Leyton Jubilee Park, em Londres, e um dos eventos de encerramento do British Council Temporada de Cultura Reino Unido/Brasil. “Percebi um aumento nas minhas reservas nos últimos dois anos”, diz ele, e está ansioso para retornar à cidade onde passou tantos anos.

Em meados da década de 1990, ele e o DJ Marky, também brasileiro de drum’n’bass, estavam entre as próximas grandes novidades no cenário da música eletrônica de São Paulo. “Marky trabalhava em uma loja de discos”, diz Patife, que começou a gostar de membership music do Reino Unido com seu amigo através das páginas de catálogos de discos e revistas de música eletrônica como Mixmag e DJ Magazine. Marky tocou para ele The Darkish Stranger, faixa de 1993 da dupla britânica Boogie Occasions Tribe: “Meu Deus, o que é isso? Minha vida mudou daquele momento em diante.”

Patife e Marky tinham formação em hip-hop e música negra brasileira, e um talento especial para encontrar os sons mais corajosos e alucinantes da música eletrônica, em oposição ao pop e à dança anti-sépticos que dominavam os clubes de primeira linha em São Paulo. Crescendo com sua reputação e reveals, ambos estavam na casa dos 20 anos quando finalmente conseguiram economizar dinheiro suficiente para viajar a Londres pela primeira vez. Três escalas terminando em Bruxelas, mais uma viagem de trem, e eles finalmente estavam em solo britânico. “Nas nossas primeiras duas horas em Londres, encontramos Goldie caminhando pelo Soho”, diz Patife.

Do closing dos anos 90 ao início dos anos 2000, Patife, Marky e seus pares – Andy, XRS, Drumagick, Mad Zoo, entre outros – construíram um culto ao drum’n’bass no underground paulista, em clubes como Sound Manufacturing facility e Area. Mas gradualmente atingiu o mainstream: em Outubro de 2000, actuaram num palco gratuito e ao ar livre no centro da cidade, que foi exibido na televisão nacional e ainda hoje é comemorado como um momento marcante para a música eletrônica brasileira.

À medida que o drum’n’bass crescia, os DJs passaram de tocar faixas do Reino Unido para criar as suas próprias, como Sambassim de Patife, XRS e Fernanda Porto – um remix moderno de bossa nova que se tornou a primeira faixa brasileira de drum’n’bass tocada na rádio BBC, em 2000. Então, em 2002, a faixa LK do DJ Marky – uma colaboração com XRS e o rapper britânico Stamina MC, alimentada por um riff brilhante de violão – chegou ao Prime 20 do Reino Unido, e o trio se tornou um dos únicos artistas de drum’n’bass a aparecer no Prime of the Pops.

Depois que Patife o prendeu no escritório do Motion, Bryan Gee se apaixonou pelo som tropical e samba dos brasileiros e lançou o EP The Brasil de 2001 em seu selo V Recordings: o primeiro lançamento de drum’n’bass brasileiro pelo selo britânico. Gee compara o toque do Junglismo brasileiro ao som exuberante e exploratório de outro subgênero, o drum’n’bass líquido: “Ambos são emocionantes. A música brasileira tem muito samba, breaks, então foi fácil ser aceito no Reino Unido porque as pessoas estavam na vibração líquida que Fabio e Caliber estavam promovendo.”

Gee já se apresentou dezenas de vezes no Brasil desde que conheceu Patife, assim como outros nomes do drum’n’bass britânico, como Roni Dimension, Adam F e Goldie. Ele admira uma nova geração de jovens artistas brasileiros, incluindo Spy, L-Facet e Degree 2: “Eles não têm samba em suas músicas, mas há uma vibração brasileira nela. E eles amam e respeitam a história.”

Assim como artistas de rap brasileiros como Ajulliacosta dançando nas batidas do drum’n’bass, o drum’n’bass brasileiro é a pedra de toque para uma nova onda de nomes do Reino Unido, como Nia Archives – dois de seus lançamentos de maior sucesso, Baianá e Maia Maia, samples de música brasileira – e Sherelle, que se apresentou em São Paulo pela primeira vez em abril no pageant Gop Tun.

“Estou esperando desde o início da carreira para jogar aqui”, diz Sherelle, vestindo uma camisa do Corinthians, de São Paulo, quando a encontro no pageant.

‘Estou esperando desde o início da minha carreira para tocar aqui’… Sherelle se apresentando no Gop Tun. Fotografia: Ariel Martini

Nascida em 1993, Sherelle period apenas uma criança quando aconteceram os primeiros diálogos de drum’n’bass entre o Reino Unido e o Brasil. Mas em meados dos anos 2000, os jogos se tornaram uma nova porta de entrada para nomes como Drumagick e Patife – algumas de suas faixas foram apresentadas na franquia Fifa Road. “A curadoria dessa trilha sonora foi incrível”, diz Sherelle. “Na verdade, isso mostra uma época muito específica de quão incrível o drum’n’bass brasileiro period e ainda é.”

Durante a viagem Sherelle também tocou no Rio na rave Speedtest, fundada em 2022 pelo DJ e produtor Chediak e pelo agitador cultural Diogo Queiroz. A festa e a gravadora orbitam a música eletrônica breakbeat e de ritmo acelerado vinda do Reino Unido e do Brasil: um amálgama frenético de baile funk, pós-dubstep e uma miríade de breaks de selva e drum’n’bass.

“Estamos infundindo sons de baile funk na música membership do Reino Unido, e isso traz uma nova camada ao som, com artistas e vozes que vêm de bairros desfavorecidos e favelas”, diz Chediak. Ele diz que com um número crescente de MCs da sempre well-liked cena baile funk do Brasil se interessando por ritmos de drum’n’bass, “isso aumenta as possibilities de fazer uma música que possa se destacar”.

Chediak acredita que há algo na música eletrônica do Reino Unido que continua inspirando artistas no Brasil. “Eles têm algo que não é tão bacana quanto o que fazemos aqui, mas parece menos quadrado do que a música eletrônica européia e especialmente dos EUA”, diz ele. “E isso vem junto com a nossa identidade na produção musical, algo que vai além dos gêneros. É mais como um som, um timbre; é menos óbvio, soa novo.”

Patife excursionou pelo Brasil com a equipe do Speedtest no closing de 2025. Aclamado pelos jovens como um oráculo do drum’n’bass, ele trouxe sua marca registrada mistura de alegria e repertório profundo. “Fiquei completamente impressionado com o que vi com essas crianças”, diz ele. “Pensei que o baixo estaria onde o deixamos, no underground dos anos 2000, mas agora vejo uma continuidade nele – e há um longo caminho pela frente. Daqui a 20, 30 anos, essas crianças serão os gurus das novas gerações.”



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