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O artista francês Thomas Henriot desenha linhas que se movem através da luz, do tempo e da memória

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Em The Weight of Mild, atualmente em exibição na galeria Artwork Centrix House em Vasant Kunj, Delhi, o artista francês Thomas Henriot reúne anos de observação, viagens e envolvimento silencioso com a arquitetura na Índia. As obras expostas não são apenas desenhos de lugares; eles sentem que passam um tempo com eles.

Em exposição estão oito tapeçarias e 14 desenhos.

O processo de Henriot é simples, mas exigente. Ele trabalha com papel de bambu coreano e tinta chinesa, usando uma técnica tradicional de tinta e lavagem. Não há esboços preliminares. “Não tem primeiro desenho e não tem esboço. Trabalho direto com pincel e tinta no papel, não dá para corrigir”, explica Henriot.

Ele fica sentado no chão, muitas vezes por longos períodos, às vezes durante dias, trabalhando de manhã à noite. “Na verdade, é uma espécie de processo de meditação. Começo por volta das 8h e vou até as 18h.” Para ele, isso não exige muita mão-de-obra. “Faço isso há quase 25 anos. Para mim, esta é a maneira mais fácil de trabalhar.”

O que ele realmente está fazendo nesse momento é observar. Não apenas olhando, mas absorvendo a energia e a vibração do lugar

Ele entendeu isso como um processo meditativo quando veio para a Índia e começou a trabalhar nos ghats de Banaras. “Percebi que isso é ioga.”

Esta abordagem torna-se especialmente visível nas obras que ele criou em toda a Índia. Quer sejam os ghats de Varanasi, os poços profundos de Jaisalmer ou o majestoso e extenso Forte Mehrangarh, Henriot passa horas sentado nesses espaços antes de desenhá-los.

Suas obras não capturam um único momento, mas uma sucessão de momentos.

A luz desempenha um papel importante em sua arte. Monica Jain, da Artwork Centrix House, que também foi curadora da exposição, comenta: “Thomas trata a luz como uma entidade viva; ele a captura em mudança e, ao fazer isso, tudo ganha vida”.

Ele observa como a luz muda ao longo do dia, e é por isso que seus desenhos não parecem estáticos. Eles parecem mudar conforme você olha para eles.

No centro da exposição está o Palácio Basu Bati, uma estrutura à qual Henriot voltou repetidamente ao longo dos anos. Basu Bati é uma estrutura icônica carregada de história e cultura; desenhos foram criados no native durante a residência de Henriot na Fundação Basu para as Artes.

“Pude observar durante mais de uma década a evolução do antigo palácio. Infelizmente, não está a ser restaurado, por isso tenho visto lentamente a Natureza assumir a arquitectura.”

O palácio, agora em estado de visível decadência, torna-se um tema poderoso. A tinta descasca, as paredes racham e as plantas começam a assumir o controle. Henriot não separa esses elementos. Na sua obra, a arquitetura e a Natureza coexistem.

Curiosamente, o seu processo reflecte esta ideia. Ele começa desenhando primeiro a Natureza e só depois coloca a arquitetura por trás dela. “No meu desenho, a arquitetura depende da Natureza”, explica.

O resultado é um trabalho que parece em camadas e vivo, e não rígido ou fixo.

O que torna este trabalho ainda mais impressionante é como ele ultrapassou o papel. Henriot colaborou com Brochier Soieries, um fabricante de seda fundado em 1890 em Lyon, França, para traduzir os seus desenhos em têxteis de grande escala utilizando a técnica de tecelagem jacquard. Estas não são simples reproduções.

No centro está uma tapeçaria monumental do Palácio Basu Bati. Medindo 700 por 200 cm, é tecido com 20 mil fios de seda, algodão e ouro. Ele captura todos os detalhes: as rachaduras, o crescimento excessivo e a estrutura desbotada. Os fios dourados não enfeitam a imagem; eles acrescentam significado para destacar como a estrutura permanece na memória das pessoas.

Para Henriot, esta mudança para os têxteis foi intencional. “Eu queria que a pintura não estivesse apenas em uma moldura… queria que ela vivesse de uma maneira diferente”, diz ele.

Há também algo importante sobre onde este trabalho é mostrado. Grande parte de sua prática existe fora do estúdio tradicional. Ele prefere trabalhar em espaços públicos, mantendo-se conectado com o meio ambiente e com as pessoas ao seu redor.

“O derrame é algo vivo e, uma vez feito, não pode ser mudado.”

Talvez seja por isso que suas obras parecem assim. Não são apenas imagens de lugares como Banaras ou Jodhpur. São experiências de tempo, luz, decadência e renovação, mantidas em tinta e agora em fio.

A exposição fica no Artwork Centrix House, Jain Farm, Vasant Kunj, até 12 de maio. Artwork Centrix House planeja expor as obras em Calcutá em breve.

Publicado – 08 de maio de 2026 09h37 IST

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