O feminino e a sensualidade

No último final de semana tive o privilégio de fazer um workshop de sensual flow com a poledancer norte-americana @carmineblackdance, este estilo do pole dance trabalha a fluidez na dança com a adição de elementos que exploram a sensualidade.

Quando comecei a praticar pole dance, tinha em mente me exercitar e ter uma atividade diferente das academias tradicionais, mas nunca havia me passado pela cabeça dançar o estilo sensual. Levou mais de um ano para eu fazer minha primeira aula de salto.  Achava lindo ver as outras meninas dançando e sensualizando, mas achava que aquilo não era para mim, que não teria coragem de calçar um salto plataforma de 17 cm (imagina, eu com quase 1,80, que loucura!) e que meu jeito atrapalhado faria as pessoas rirem e não acharem aquilo ¨bonito”.  Ser feminista e sensualizar me parecia um grande paradoxo, já que sensualizar seria uma forma de submissão, objetificação.

Em nossa sociedade, que vê a castidade feminina como virtude a ideia da mulher sexual é automaticamente rechaçada. A mulher objeto, submissa aos desejos masculinos, a Eva pecadora e responsável por todos os males do mundo domina o nosso inconsciente, fazendo com que a a mulher não se veja como ser sexual, especialmente por ter o homem, ao longo de toda nossa história moderna, como o dominador desse território, aquele que dita as regras dizendo o que é sensual, sexy, o que a mulher deve ou não fazer em relação à sua sexualidade (quem nunca ouviu a famosa frase da dama na mesa e a prostituta na cama?)

Mas sem eu saber, o pole dance havia entrado na minha vida não só para eu ter uma atividade física, mas também para me ajudar a desconstruir muitos preconceitos e pré-conceitos que eu, LOGO EU, todo desconstruidona nunca havia percebido que tinha.

Com a prática do pole dance, especialmente na vertente sensual, você, sozinha, descobre a sua sensualidade. Você precisa se encarar por uma hora, com pouca roupa em um espelho e se enxergar. Não somente se olhar, como fazemos enquanto escovamos os dentes ou experimentamos a roupa com que vamos trabalhar no dia, mas se enxergar por inteiro. E gostar do que vê.  É sair da posição de objeto para a posição de sujeito. É descobrir que cada um é sensual à sua maneira, é se ver como protagonista da sua sexualidade, é descobrir que a sensualidade é inerente ao feminino. É se descobrir como ser sensual com  desejos e fantasias próprias, de sair da posição de submissão para a de prestígio.

E você, está aberta (o) para esta descoberta e desconstrução?

Foto: Verena Vaz (@veevaz)

Patricia Menezes

Patricia Menezes

É instrutora e proprietária da Pole Haus no Jabaquara. Pratica Pole Dance há 5 anos e desde então encontrou um novo amor na vida, diferente da sua formação em relações internacionais e ciência política. Treinou no @studiometropole em SP com os maiores nomes do pole dance nacional e workshops com estrelas internacionais como Marlo Fisken, Maddie Sparkle, Slava Ruza, Polina Ginger, Sasha Meow, Olga Koda e Carmine Black e o Program of Pole Dance Instructor da Grazzy Brugner. Dançar de salto (seja o estilo Classic ou Exotic) é a sua praia mas também adoro um floorwork ou um pole flow com muitos giros e transições.