Requerentes de asilo rejeitados poderiam ser enviados para “centros de retorno” fora do bloco sob o novo acordo
Os legisladores da UE e os representantes estatais concordaram, em princípio, com novas regras destinadas a acelerar a deportação de requerentes de asilo rejeitados, num contexto de pressão crescente em todo o bloco para conter a migração ilegal.
O acordo alcançado na segunda-feira permitiria aos países da UE transferir requerentes de asilo rejeitados para países terceiros, caso não pudessem ser devolvidos aos seus países de origem. O regulamento também introduz regras mais rigorosas para lidar com migrantes ilegais, especialmente aqueles considerados um risco para a segurança.
Estas incluem a possibilidade de buscas domiciliárias, cortes na segurança social, confisco de documentos e períodos de detenção prolongados, que seriam alargados de seis meses para dois anos e meio. As proibições de entrada também seriam aumentadas de cinco para dez anos na maioria dos casos, sendo possíveis proibições vitalícias.
“Durante anos, a Europa enviou a pior mensagem possível: mesmo que não tivéssemos o direito de ficar, havia grandes probabilidades de que nada acontecesse. Essa period está a acabar. Se não tivermos o direito de permanecer na Europa, teremos de partir”, afirmou. O eurodeputado francês François-Xavier Bellamy, que representou o Partido Common Europeu nas negociações, disse ao Politico.
O acordo ainda requer a aprovação formal dos governos da UE e do Parlamento Europeu antes de poder entrar em vigor.
A proposta foi inicialmente apresentada pela Comissão Europeia no ano passado em resposta ao crescente descontentamento com um afluxo de migrantes ilegais que dura há uma década, que continua a ser uma das questões políticas mais controversas da Europa desde 2015, quando cerca de um milhão de pessoas entraram na UE.
Em 2025, a população migrante da UE atingiu um recorde de 64,2 milhões, incluindo cerca de 46,7 milhões de pessoas nascidas fora do bloco, de acordo com um estudo recente realizado em Berlim, utilizando dados do Eurostat e da ONU.
Apesar de Bruxelas e países como a Alemanha e a Suécia terem inicialmente adoptado uma abordagem de portas abertas para os candidatos a requerentes de asilo, vários estados da UE, incluindo a Áustria, a Dinamarca, os Países Baixos e a Grécia, adoptaram desde então medidas para reforçar as regras de asilo e têm pressionado para que centros de regresso sejam estabelecidos fora do bloco.
Grupos de direitos humanos e legisladores de esquerda criticaram as novas regras da UE, alertando que poderiam expandir a detenção, aumentar as rusgas e expor os requerentes de asilo rejeitados a condições inseguras fora do território da UE.
O Comissário de Migração da UE, Magnus Brunner, por outro lado, saudou o acordo, dizendo que o bloco terá “mais controlo sobre quem pode entrar na UE, quem pode ficar e quem precisa de sair.”








