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Quem é Charles Lieber? Cientista condenado de Harvard agora lidera a pesquisa da China para ligar o cérebro aos computadores

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Charles Lieber é um dos nomes mais conhecidos da nanociência, mas sua carreira sofreu uma reviravolta dramática após uma condenação federal nos Estados Unidos. Outrora um importante professor de química de Harvard, Lieber foi condenado em 2021 por fazer declarações falsas às autoridades federais e por crimes fiscais vinculados a pagamentos da China. Hoje, ele está de volta ao laboratório em Shenzhen, onde lidera pesquisas de interface cérebro-computador apoiadas pelo Estado no i-BRAIN, parte da Academia Médica de Pesquisa e Tradução de Shenzhen. O campo é clinicamente promissor, mas também estrategicamente sensível, razão pela qual a sua mudança para a China chamou a atenção.

O caminho de Charles Lieber da proeminência de Harvard à condenação federal

Lieber construiu uma carreira longa e influente na Universidade de Harvard, ingressando no corpo docente em 1991 e posteriormente atuando como presidente do departamento de química e biologia química de 2015 a 2020. Ele ocupou o prestigiado cargo de professor da Universidade Joshua e Beth Friedman, uma das mais altas honras acadêmicas de Harvard. Ao longo de três décadas, ele se tornou uma figura importante na nanociência, publicando centenas de artigos revisados ​​por pares e detendo dezenas de patentes. Sua pesquisa concentrou-se em materiais em nanoescala e nanoeletrônica, particularmente dispositivos capazes de interagir com sistemas biológicos, incluindo trabalhos iniciais relevantes para interfaces neurais e tecnologias cérebro-computador. Em dezembro de 2021, um júri federal o condenou por prestar declarações falsas às autoridades federais, apresentar declarações fiscais falsas e não divulgar contas em bancos estrangeiros. Em abril de 2023, ele foi condenado a pena de prisão, seis meses de reclusão domiciliar, multa de US$ 50 mil e restituição à Receita Federal. O caso envolveu participação não revelada no Plano dos Mil Talentos da China e pagamentos de uma universidade chinesa.

A pesquisa que Charles Lieber lidera agora na China

A mudança de Lieber para Shenzhen marcou um novo capítulo marcante em uma carreira já definida pela ciência de alto risco. Em abril de 2025, ele chegou à cidade e assumiu o comando do i-BRAIN, Instituto de Pesquisa do Cérebro, Interfaces Avançadas e Neurotecnologias, que opera sob a Academia Médica de Pesquisa e Tradução de Shenzhen (SMART). Lá, ele atua como diretor fundador e professor catedrático. Seu laboratório supostamente tem acesso a ferramentas avançadas de nanofabricação e instalações de pesquisa em primatas, proporcionando-lhe recursos que não estavam disponíveis da mesma forma em Harvard. Para um cientista há muito associado à eletrônica em nanoescala, o cenário é incomumente adequado para a próxima fase de seu trabalho.O campo que ele agora ajuda a liderar é o das interfaces cérebro-computador, ou BCIs, que visam traduzir a atividade cerebral em sinais que os computadores possam ler e usar. Essa tecnologia já é uma promessa médica. Os pesquisadores estão explorando isso para pessoas com ELA, paralisia e perda de fala, e avanços recentes mostraram que os sinais neurais podem ser transformados em fala ou usados ​​para controlar dispositivos de maneiras limitadas. O campo está evoluindo constantemente de experimentos laboratoriais para aplicações clínicas.A China fez dos BCIs uma área prioritária. Em 2026, aprovou um dispositivo médico comercial da BCI concebido para ajudar pessoas com tetraplegia a recuperar a capacidade de preensão handbook, e a tecnologia foi identificada no planeamento nacional como uma indústria futura. Esse apoio político ajuda a explicar porque é que a presença de Lieber é importante. Ele traz profunda experiência em nanofabricação, interfaces neurais e materiais avançados, o tipo de conhecimento que pode acelerar um campo de pesquisa com valor humanitário e estratégico.É também por isso que o seu novo papel permanece controverso. Lieber não é simplesmente um cientista recomeçando num novo país. Ele é um investigador que foi condenado nos Estados Unidos por declarações falsas ligadas a pagamentos e afiliações relacionadas com a China, e está agora a trabalhar dentro de um sistema de investigação chinês apoiado pelo Estado que está a investir fortemente em tecnologias emergentes. A sua história situa-se no ponto onde a ciência, a geopolítica e a competição tecnológica se encontram, fazendo dele uma das figuras mais observadas na corrida world para ligar o cérebro às máquinas.

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