Você já se encolheu diante de algo completamente inofensivo, simplesmente porque isso o lembrou de uma mágoa antiga? Um provérbio nigeriano capta perfeitamente esse sentimento. Quem foi picado por uma cobra vive com medo de vermes, diz. Entre o povo Igbo, onde o ditado é bem conhecido, ele diz uma verdade que todos reconhecem no momento em que o ouvem. Depois de uma mordida actual e dolorosa, até mesmo um pequeno verme inofensivo se contorcendo no solo pode causar arrepios na espinha. A cobra causou o estrago, mas o medo se espalha para qualquer coisa que se assemelhe, mesmo que vagamente, a ela. O provérbio é o primo africano da frase inglesa uma vez mordido, duas vezes tímido. Em poucas palavras, ele capta quão profundamente a dor nos ensina cautela e como essa cautela pode superar silenciosamente o próprio perigo que a causou.
Provérbio nigeriano do dia
“Quem foi picado por uma cobra vive com medo de vermes.”
Significado do provérbio
Superficialmente a imagem é simples. Uma picada de cobra é perigosa, às vezes mortal. Um verme é inofensivo. No entanto, a pessoa que sentiu presas cravadas na pele não consegue mais olhar para nada longo, fino e contorcido sem sentir medo. O corpo lembra. A mente, tentando manter-se segura, começa a tratar cada verme como uma possível cobra.Esse é o cerne do provérbio. Uma experiência dolorosa deixa uma marca, e essa marca molda a forma como vemos o mundo muito depois de o evento terminar. Depois que algo nos machuca gravemente, ficamos desconfiados não apenas daquela coisa exata, mas de tudo que se assemelha a ela. Alguém traído por um amigo próximo pode ter dificuldade em confiar no próximo rosto gentil. Uma pessoa que perdeu dinheiro em um negócio ruim pode recuar diante de todas as ofertas que surgirem depois. A cobra já se foi, mas o medo que ela plantou continua se espalhando, fixando-se em vermes perfeitamente inofensivos.
Origens na cultura nigeriana
A Nigéria é um dos países mais ricos do ponto de vista linguístico do planeta, lar de centenas de línguas e de uma tradição profunda e viva de provérbios. Ditados como este não são mera decoração. Em muitas comunidades nigerianas, um provérbio bem colocado é uma marca de sabedoria e de bom discurso, entrelaçado naturalmente na conversa quotidiana, usado para resolver discussões, suavizar verdades duras e ensinar os jovens.Este provérbio em specific é registrado como Igbo, do povo do sudeste da Nigéria, onde as cobras são um perigo actual e presente nas terras agrícolas e nos arbustos, e não uma ideia distante. Isso torna a imagem vívida em vez de abstrata. Todo mundo que está ouvindo sabe o que significa uma picada de cobra, e todo mundo já viu um verme aparecer no solo. Ao traçar uma linha entre os dois, o provérbio pega uma cena rural comum e a transforma em uma lição sobre o coração humano, que vai muito além de qualquer fazenda.
A sabedoria de um coração cauteloso
Seria fácil ler o provérbio como uma simples zombaria do medo, mas não é bem isso. Há sabedoria genuína escondida no coração cauteloso. A pessoa que tem medo de vermes após uma picada de cobra ainda está, de certa forma, aprendendo. A dor é um dos professores mais aguçados da vida, e um respeito saudável pelo perigo faz parte do que nos mantém vivos. A criança que toca numa panela quente aprende a ter cuidado perto do fogão. A cautela que se segue a uma lição difícil costuma ser exatamente o que nos protege na próxima vez.Portanto, o provérbio não é apenas rir da vítima da picada de cobra. Ele os entende. Ter sido realmente magoado e sair com mais cuidado é pure, até mesmo sensato. A cautela, sob esse prisma, é simplesmente o esforço honesto da mente para garantir que o mesmo ferimento nunca seja sofrido duas vezes. Ninguém que tenha sentido o verdadeiro veneno deve ser culpado por agir com cuidado depois.
Quando o medo se torna maior que o perigo
E, no entanto, o provérbio traz consigo uma advertência gentil. Um verme não é uma cobra. Quando o nosso medo se espalha para coisas que não podem realmente nos prejudicar, ele deixa de nos proteger e começa a encolher o nosso mundo. A pessoa que trata cada verme como uma ameaça terá dificuldade para caminhar por um jardim, quanto mais trabalhar a terra.É aqui que o ditado aponta silenciosamente para a cura. Em algum momento, a sabedoria mais profunda não reside em temer mais, mas em aprender a distinguir o verme da cobra mais uma vez. Recuperar-se de uma experiência dolorosa não é esquecê-la, mas parar de permitir que ela influencie cada coisa que se segue. A mordida foi actual. A lição foi conquistada. Mas uma vida vivida com medo de todo verme inofensivo torna-se seu próprio tipo de veneno, mais lento que o veneno, mas mesmo assim drenando. A resposta mais sábia para uma ferida antiga é ficar alerta ao perigo actual e, ao mesmo tempo, recusar-se a deixar o perigo imaginário tomar conta do resto dos seus dias.








