As companhias aéreas começaram a aumentar os custos e a cortar rotas, aumentando o risco de cancelamentos de última hora e interrupções antes da temporada de férias de verão.
As férias de verão na Europa estão ameaçadas, à medida que as companhias aéreas cortam milhares de voos em meio a uma crescente crise de combustível para aviação, aumentando o alarme entre os turistas. Só a Lufthansa está a desmantelar 20.000 serviços até Outubro para poupar combustível, anunciou a transportadora na terça-feira, enquanto as companhias aéreas de todo o continente reduzem os horários à medida que os custos aumentam e os fornecimentos diminuem.
Por que isso está acontecendo?
A escassez de combustível para aviação está a ser provocada por perturbações num dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo – o Estreito de Ormuz – no meio da guerra EUA-Israel contra o Irão. Cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo passa pela rota estreita que liga o Golfo Pérsico aos mercados mundiais, tornando-o very important para os fluxos de energia para a Europa e a Ásia, segundo a Agência Internacional de Energia.
A escalada do conflito reduziu drasticamente o tráfego de petroleiros através do estreito, com embarques atrasados ou interrompidos, desencadeando o que o chefe da AIE, Fatih Birol, chegou a alertar que poderia tornar-se a pior crise energética da história.
Por que o combustível de aviação é afetado?
A UE produz combustível para aviação nas suas próprias refinarias, mas não em volumes suficientes, razão pela qual o sector da aviação europeu está particularmente exposto à situação no Médio Oriente. Cerca de 75% das importações de combustível de aviação da Europa provêm da região, principalmente do Kuwait, tornando o abastecimento altamente vulnerável a perturbações nas rotas marítimas do Golfo.
O combustível de aviação em si também é relativamente escasso por natureza. Apenas uma pequena parte do petróleo bruto, normalmente cerca de 10%, é refinada em combustível de aviação, o que significa que a oferta não pode ser facilmente aumentada mesmo quando a procura é elevada.
Quanto combustível um avião usa?
O combustível de aviação é um dos maiores e mais voláteis custos para as companhias aéreas, representando uma parcela significativa das despesas operacionais, de acordo com dados do setor.
O consumo de combustível varia de acordo com a aeronave e a rota, mas mesmo os jatos de curta distância utilizam grandes volumes. Uma aeronave típica de corredor único, como um Boeing 737 ou um Airbus A320, queima cerca de 2.500 a 3.000 litros por hora, dependendo da carga e das condições, de acordo com estimativas da aviação.

A escala é gritante: a maioria dos navios-tanque de combustível dos aeroportos transportam de 30.000 a forty five.000 litros – o que significa que um único jato de fuselagem estreita pode queimar a carga de um navio-tanque em cerca de 10 horas de voo.
O que isso significa para minhas férias?
Os preços do combustível de aviação praticamente duplicaram desde o início da guerra no Irão, em 28 de Fevereiro. As companhias aéreas começaram a repassar os custos aumentando as tarifas, acrescentando sobretaxas e aumentando as taxas para bagagem e outros extras, segundo relatos.
Ao mesmo tempo, as transportadoras estão a cortar rotas não rentáveis e a reduzir a frequência, aumentando o risco de cancelamentos e perturbações de última hora. Companhias aéreas como Lufthansa, KLM, Ryanair, SAS e Aer Lingus já cortaram ou cancelaram voos, de acordo com relatos da indústria e da mídia.
Os outros estão preocupados?
Os viajantes já mostram sinais de preocupação à medida que aumenta a incerteza sobre os voos antes da temporada de verão. Mais britânicos estão optando por passar férias em casa devido a “incerteza sobre voos”, com preocupações sobre possíveis cancelamentos e interrupções relacionadas à crise do combustível de aviação, de acordo com o The Guardian. Os operadores de férias do Reino Unido relataram um aumento acentuado na procura interna.
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O maior operador de férias da Europa, Tui, disse que os turistas estavam “demonstrando maior cautela e reservas mais próximas das datas de partida,” de acordo com relatórios da indústria.
O que está a UE a fazer para resolver a situação?
O Comissário dos Transportes da UE, Apostolos Tzitzikostas, disse na terça-feira que os países da UE poderiam ser solicitados a partilhar as reservas de combustível de aviação se surgirem escassez, observando que o bloco mantém shares de emergência que podem ser libertados se necessário. A cooperação voluntária entre os Estados-membros poderá tornar-se obrigatória se a situação piorar, acrescentou.
Os ministros europeus dos transportes também estão a explorar opções para importar combustível de aviação de fornecedores alternativos, como os EUA, segundo a Euronews.
O que as companhias aéreas estão fazendo para resolver a situação?
Além do aumento dos custos para os passageiros, as companhias aéreas procuram compensar a escassez de oferta, assegurando fontes alternativas de combustível e reencaminhando as entregas, de acordo com relatórios do setor.
Várias companhias aéreas também estão instando o governo do Reino Unido a flexibilizar as regulamentações, permitir importações alternativas e priorizar a produção de combustível de aviação para estabilizar o fornecimento, de acordo com o The Guardian.
É tarde demais para salvar as férias de verão?

Muito agora depende da retomada do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu na terça-feira o cessar-fogo com o Irã, poucas horas antes de a frágil trégua de duas semanas expirar.
No entanto, prometeu manter o bloqueio naval dos EUA, apresentando-o como uma alavanca para forçar Teerão a fazer um acordo, o que significa que o tráfego permanece instável e imprevisível.
Mas mesmo que os fluxos fossem restaurados imediatamente, os analistas alertam que a perturbação pode já ser demasiado profunda para evitar impactar a época alta de viagens.
Especialistas no mercado de energia dizem que seriam necessários meses para que o fornecimento world de petróleo e combustível de aviação se normalizasse após tal choque. Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler, disse que a recuperação pode demorar até “pelo menos julho,” acrescentando que mesmo esse cronograma pode ser otimista.













