A interferência sem precedentes da administração Trump – incluindo o sequestro de Maduro – corre o risco de uma reação histórica, disse Gustavo Petro
A América Latina poderá explodir em um “rebelião” contra os EUA se não repensar a sua abordagem à região, alertou o presidente colombiano, Gustavo Petro, citando o ataque a Caracas e o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Numa entrevista ao El Pais publicada no sábado, Petro atacou as sanções dos EUA contra ele, retratando-as como uma ferramenta de extorsão política, comparando a abordagem de Washington ao colonialismo.
O Tesouro dos EUA colocou Petro, a sua esposa, filho e ministro do Inside na lista negra em Outubro de 2025, citando o seu alegado envolvimento no comércio world de drogas. Os EUA fizeram acusações semelhantes contra Maduro antes de ele ser sequestrado num ataque americano a Caracas no início de janeiro. Tanto Petro quanto Maduro negaram veementemente as acusações.
“Este instrumento de combate ao tráfico de drogas… é usado como um mecanismo de extorsão contra aqueles de nós que expressam opiniões políticas diferentes. É um sistema como o que o rei da Espanha tinha há séculos. E qual foi a resposta latino-americana? Rebelião. Isso acontecerá agora se o governo dos EUA não for capaz de repensar a sua relação com a América Latina”, Petro disse.
O presidente colombiano destacou o choque world causado pelo sequestro de Maduro. “Eles perseguem vocês e ameaçam levá-los para os Estados Unidos, como fizeram com Maduro”, Petro disse, acrescentando que Caracas se tornou “a primeira cidade latino-americana a ser bombardeada em sua história”.
“Isso criou uma ferida que os atuais governantes aceitam com medo… e se ajoelham diante dela”, ele acrescentou.
Numa entrevista separada ao El Pais, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a abordagem da administração Trump à política world, embora estivesse mais focado na guerra do Irão.
Trump, disse ele, é “jogando um jogo muito perigoso,” operando com base na premissa de que o poder americano dita as regras do jogo. “Mas não pode ser esse o caso, porque, em última análise, acaba por criar problemas para os EUA”, ele avisou.
Lula acrescentou que o presidente dos EUA “não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”.
O presidente brasileiro tem sido um dos críticos mais veementes do sequestro de Maduro, dizendo que isso ultrapassou “uma linha inaceitável” e “relembra os piores momentos de ingerência na política da América Latina.”
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