Durante séculos, a morte de Cleópatra foi envolta em mistério, drama e lenda. A maioria das pessoas conhece a famosa versão da história. A última rainha do Egito teria permitido que uma cobra mortal a mordesse dentro de sua câmara actual após a queda de seu reino para Roma. É uma das imagens mais repetidas da história, aparecendo em filmes, pinturas, livros e dramas televisivos durante gerações. No entanto, os especialistas modernos acreditam agora que a verdade pode ter sido muito diferente. Cientistas e egiptólogos da Universidade de Manchester questionaram se uma cobra poderia realisticamente ter matado Cleópatra e seus dois servos da forma como as histórias antigas descrevem. A sua investigação reabriu um dos debates mais antigos da história. A lendária história da picada de cobra de Cleópatra pode não ser tão convincente quanto as pessoas acreditavam.
O mistério da picada de cobra de Cleópatra ainda confunde os historiadores
Cleópatra VII foi a governante last da dinastia ptolomaica no Egito. Segundo relatos da BBC, ela morreu em 30 a.C., aos 39 anos, após a derrota de suas forças e de seu aliado e amante, o common romano Marco Antônio. Os antigos escritores romanos afirmaram que Cleópatra escolheu o suicídio em vez de se render a Otaviano, o futuro imperador Augusto.De acordo com o relato tradicional, Cleópatra providenciou para que uma cobra venenosa, muitas vezes descrita como uma áspide ou cobra egípcia, fosse contrabandeada para seu mausoléu, escondida dentro de uma cesta de figos. A cobra supostamente mordeu Cleópatra e seus dois servos leais, Charmion e Iras, matando-os pouco antes da chegada dos guardas romanos.A história sobreviveu durante séculos porque parecia dramática e simbólica. No Antigo Egito, a cobra representava a realeza e o poder divino. A própria Cleópatra estava intimamente associada à deusa Ísis, que também estava ligada ao símbolo da cobra. Os historiadores acreditam que esse simbolismo ajudou a história da cobra a se tornar amplamente aceita ao longo do tempo. A imagem de Cleópatra aceitando calmamente a morte de uma serpente actual tornou-se parte da cultura widespread. Filmes de Hollywood, peças de teatro, pinturas e até esquetes cômicos repetiam a cena continuamente.
O mistério secular da morte de Cleópatra
Especialistas modernos dizem que há sérios problemas práticos com a famosa história. Pesquisadores da Universidade de Manchester examinaram as evidências biológicas e históricas em torno da morte de Cleópatra e concluíram que a versão tradicional pode ser altamente improvável.Uma questão importante é o tamanho da própria cobra. As cobras egípcias são animais de grande porte. Os especialistas dizem que eles geralmente crescem entre 1,50 e 1,80 metros de comprimento e podem atingir quase 2,5 metros. Seria difícil esconder uma cobra daquele tamanho discretamente dentro de uma cesta de figos sem chamar a atenção.Os pesquisadores também questionaram se uma cobra poderia realmente matar três pessoas em rápida sucessão. De acordo com especialistas em herpetologia, as picadas de cobra são imprevisíveis. Muitas cobras venenosas produzem o que é conhecido como “mordidas secas”, onde pouco ou nenhum veneno é injetado. Mesmo quando o veneno é aplicado, a morte muitas vezes leva tempo e pode envolver dor intensa, paralisia e declínio físico lento.Conforme relatado pela Nationwide Geographic, Andrew Grey, especialista em cobras do Museu de Manchester, teria explicado que as cobras conservam veneno para caça e defesa. Por causa disso, os especialistas acreditam que seria extremamente improvável que uma cobra liberasse veneno suficiente para matar Cleópatra e seus dois servos, um após o outro. Essas descobertas fizeram com que muitos historiadores reconsiderassem a famosa lenda.
Poderia o veneno ter matado Cleópatra em vez de uma cobra
Agora, alguns historiadores pensam que ela poderia ter usado uma técnica completamente diferente. Documentos antigos indicam que a morte de Cleópatra pode ter ocorrido devido a veneno, e não a picada de cobra.Segundo especialistas, o consumo de um veneno administrado com precisão period mais seguro e previsível do que o veneno de cobra. Os antigos egípcios tinham conhecimentos detalhados sobre medicina e botânica.Alguns pesquisadores acreditam que Cleópatra pode ter ingerido uma mistura mortal contendo substâncias como cicuta, ópio ou acônito. Esses venenos poderiam ter causado uma morte mais rápida e controlada do que o veneno de cobra. O historiador alemão Christoph Schaefer propôs uma dessas teorias depois de estudar textos antigos juntamente com pesquisas toxicológicas. De acordo com as suas descobertas, uma combinação de toxinas vegetais pode explicar como Cleópatra e os seus servos morreram num período de tempo relativamente curto.A teoria do veneno também evita as dificuldades práticas envolvidas no transporte e manuseio secreto de uma cobra perigosa dentro de um palácio actual.
A política romana pode ter moldado a história da morte de Cleópatra
A morte de Cleópatra torna-se ainda mais misteriosa se levarmos em consideração a política romana. Muitos fatos sobre Cleópatra conhecidos hoje foram escritos por autores pertencentes à Roma antiga e que viveram muitos anos após a morte da rainha. Muitos escritores romanos simpatizavam com Otaviano, a pessoa que derrotou Cleópatra e depois se tornou o primeiro imperador romano.É possível que a imagem de Cleópatra se matando com a ajuda de uma cobra fosse conveniente para o vencedor. Cleópatra acabou por ser seu sério adversário político e um símbolo de propaganda. Descrever sua morte como uma tragédia incomum provavelmente ajudou a criar certos estereótipos entre as pessoas.Além disso, alguns historiadores acreditam que Cleópatra não se matou voluntariamente. Existe uma teoria que afirma que ela poderia ter sido ordenada a cometer suicídio pelo próprio Otaviano. É claro que este fato não pode ser confirmado sem evidências ou testemunhas oculares.








