Durante séculos, os navios que transportavam mercadores, soldados e exploradores passaram pelas águas estreitas que ligam o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo. Muitos nunca conseguiram sair. Agora, arqueólogos que trabalham no sul de Espanha descobriram o que pode ser uma das maiores concentrações arqueológicas subaquáticas no Mediterrâneo Ocidental: um vasto cemitério de navios escondido sob as águas da Baía de Gibraltar. Durante uma investigação de três anos conhecida como Projeto Herakles, os pesquisadores documentaram mais de 150 sítios arqueológicos subaquáticos, a maioria deles naufrágios que datam de civilizações antigas até a period moderna. Acredita-se que alguns dos destroços tenham mais de 2.400 anos, enterrados sob camadas de areia no fundo do mar.
Um enorme cemitério marítimo sob as águas de Gibraltar
As descobertas foram feitas na Baía de Gibraltar, também conhecida como Baía de Algeciras, um corpo de água estrategicamente importante no extremo norte do Estreito de Gibraltar. A região tem servido como um dos corredores marítimos mais movimentados do mundo durante milhares de anos, ligando a Europa, a África e o mundo mediterrânico em geral.Mas as mesmas águas que tornaram a baía valiosa para operações comerciais e militares também a tornaram perigosa. Fortes correntes, tempestades repentinas, costas rochosas e séculos de guerra naval fizeram com que inúmeros navios afundassem na área. Os arqueólogos dizem que o fundo do mar preserva agora camadas de história marítima que se estendem por múltiplas civilizações e períodos históricos.As descobertas ocorreram através do Projeto Herakles, uma importante iniciativa de arqueologia subaquática liderada por pesquisadores da Universidade de Cádiz e da Universidade de Granada. Antes do início do projeto, em 2019, apenas quatro sítios arqueológicos subaquáticos haviam sido oficialmente documentados na região.Nos três anos seguintes, os investigadores utilizaram mapeamento sonar, geofísica marinha, fotogrametria subaquática e pesquisas com mergulhadores para identificar mais de 150 sítios arqueológicos escondidos sob a baía. A equipe também se baseou em registros navais históricos e em entrevistas com pescadores locais e mergulhadores familiarizados com as águas.Segundo o arqueólogo Felipe Cerezo Andreo, da Universidade de Cádiz, as descobertas transformaram dramaticamente a compreensão do património subaquático da região.

Romano Antigo Naufrágios fenícios e da period da guerra encontrados sob a areia
Os naufrágios abrangem várias épocas da história do Mediterrâneo. Os pesquisadores identificaram antigas embarcações fenícias e púnicas, navios da period romana, naufrágios medievais e embarcações militares que datam dos séculos XVIII, XIX e XX.Muitos dos naufrágios mais antigos permanecem parcialmente enterrados sob camadas de areia, o que ajudou a preservar partes da sua estrutura durante séculos. Algumas descobertas datam do século V a.C., o que as torna um dos vestígios arqueológicos subaquáticos mais antigos documentados na região.Uma das descobertas mais significativas foram os restos da Puente Mayorga IV, uma canhoneira espanhola do last do século XVIII supostamente usada em ataques contra navios britânicos durante períodos de conflito em torno de Gibraltar.
O significado da descoberta
Os investigadores dizem que os destroços oferecem uma rara oportunidade de estudar milhares de anos de atividade marítima num native concentrado. A Baía de Gibraltar tem sido moldada há muito tempo pelo comércio, migração, guerra e construção de impérios envolvendo fenícios, romanos, mouros, espanhóis e britânicos.Os naufrágios recentemente documentados podem ajudar os historiadores a compreender melhor as antigas rotas comerciais, os métodos de construção naval, a guerra naval e como as sociedades mediterrânicas interagiram ao longo dos séculos. Alguns naufrágios também podem preservar cargas, armas e objetos de uso diário perdidos durante viagens há muito tempo.Os cientistas acreditam que as descobertas podem remodelar a compreensão da importância do corredor de Gibraltar para as redes marítimas antigas e medievais.
A tecnologia digital está ajudando a preservar os locais subaquáticos
Para ajudar a proteger os restos frágeis, os pesquisadores criaram reconstruções digitais, modelos virtuais e vídeos em 360 graus de vários naufrágios. Estas ferramentas permitem ao público explorar os locais subaquáticos virtualmente sem perturbá-los.Os arqueólogos dizem que a preservação digital se tornou cada vez mais importante porque muitos locais subaquáticos enfrentam ameaças de saques, poluição, atividade industrial e mudanças nas condições dos oceanos. Ao documentar detalhadamente os destroços, os investigadores esperam preservar o seu valor histórico, mesmo que os vestígios físicos se deteriorem com o tempo.A equipe descreveu os naufrágios como “museus submarinos”, argumentando que protegê-los significa preservar páginas da história humana escondidas sob a água durante séculos.


