Um thriller económico que utiliza as texturas da crise da Balança de Pagamentos da Índia de 1991 para transmitir uma mensagem sobre o poder do Estado, a autoridade centralizada e as responsabilidades percebidas do ruído democrático, Governador: O Salvador Silencioso é mais um exemplo de como a história está sendo instrumentalizada na tela hoje. Não se trata apenas de olhar para trás para compreender o impacto económico devastador da Guerra do Golfo em 1991; olha para trás para legitimar o modelo de governação de 2026.
O momento do lançamento do filme parece notavelmente presciente porque a Índia está mais uma vez a navegar por graves tremores macroeconómicos desencadeados directamente por uma crise na Ásia Ocidental, com os preços da gasolina a disparar e rumores de esgotamento das reservas de ouro a flutuarem novamente no ar.
‘Governador: O Salvador Silencioso’ (hindi)
Diretor: Chinmay D Mandlekar
Elenco: Manoj Bajpayee, Noshad Mohamed Kunju, Adah Sharma, Madhoo, Areia Paritosh
Duração: 122 minutos
Enredo: Ambientado durante a crise do balanço de pagamentos de 1991, o filme segue o esforço do governador do RBI, A. Ramanan, para evitar um calote da dívida nacional, hipotecando reservas de ouro para garantir empréstimos.
Ancorado por uma atuação contida de Manoj Bajpayee como A. Ramanan, fortemente baseado no ex-governador do Banco Central da Índia, S. Venkitaramanan, o filme, superficialmente, tenta o raro feito cinematográfico de transformar a seca política fiscal em uma narrativa comercial de alto risco. Vai além do típico patriota uniformizado que guarda as fronteiras físicas da nação, concentrando-se no patriotismo que provém de dentro do sistema para homenagear os burocratas colectivos e silenciosos, que trabalharam incansavelmente à porta fechada para esboçar a recuperação económica quando o país estava à beira da falência.
Estruturado como um tributo ficcional, mas idealizado, a Venkitaramanan, onde a narrativa o posiciona como um realista pragmático que levou a Índia desde o último suspiro do socialismo nehruviano até a rodovia do mercado livre, o filme torna os conceitos macroeconômicos complexos acessíveis e emocionalmente envolventes para um público mainstream, trazendo a lógica e os sentimentos do homem comum e da dona de casa para tomar decisões importantes, como hipotecar reservas de ouro para garantir empréstimos.
Porém, no processo, Governador cai diretamente na armadilha do reducionismo, transformando uma crise estrutural complexa num melodrama simplista, a preto e branco, transformando um triunfo económico altamente colaborativo na lenda de um único salvador silencioso. É claro que, devido às mudanças rápidas e caóticas no Governo da União, coube inteiramente a Venkitaramanan agir como um cruzado solitário voando por todo o mundo para angariar os recursos que impedissem um incumprimento internacional.
Mas, marginalizar figuras-chave como Manmohan Singh e Subramanian Swamy diminui o papel de Chandra Shekhar e Yashwant Sinha, e simplificar a contribuição de C. Rangarajan (Noshad Mohamed Kunju é eficiente como caixa de ressonância) parece um apagamento selectivo para apresentar Venkitaramanan como o único autor do projecto de reformas que mudaram o curso da economia indiana. É de se perguntar se o “cavaleiro solitário”, como é chamado por um jornal proeminente em um contexto explicit, teria gostado dessa liberdade cinematográfica.
Mais importante ainda, desde a primeira sequência, o filme capta uma crise económica histórica através de lentes modernas, ao estilo da segurança nacional. Constrói, de forma subtil, mas distinta, uma narrativa que subordina a dissidência democrática e a liberdade de expressão à sobrevivência do Estado. Retrata uma imprensa curiosa, retratada por Adah Sharma, de olhos invulgarmente arregalados, quase como um passivo, e ao comparar o Banco Central da Índia e o Estado a uma mãe silenciosa e sofredora, o filme manipula emocionalmente o público para que aceite o segredo.
Quando pinta o executivo político da década de 1990 como uma democracia fracturada, barulhenta e incompetente e contrasta o barulho dos políticos com a resolução silenciosa de um único burocrata, alimenta directamente o anseio populista moderno por um executivo todo-poderoso que possa contornar os controlos, equilíbrios e debates públicos institucionais tradicionais para realizar o trabalho. Num tal cenário, uma piada pessoal, “os pais nunca falham”, parece politicamente carregada.
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Em termos de narrativa, depois de certo ponto, o diretor Chinmay Mandlekar, que se mostrou muito promissor com Bajpayee em Inspetor Zende, perde a confiança no realismo processual da história e na tensão inerente à crise econômica e muda para a ansiedade do tique-taque do transporte aéreo do ouro, completa com música dramática, tomadas amplas de caminhões em movimento na calada da noite e impasses nas pistas do aeroporto. Se parecer preguiçoso, o design de produção com pontos finais no remaining das manchetes dos jornais destrói a ilusão cinematográfica.
Ao cercar Bajpayee com personagens coadjuvantes intencionalmente magros, planos e reativos, Mandlekar deixa o público com apenas uma pessoa em quem confiar. Bajpayee comanda a tela sem esforço, mas um elenco de apoio fraco garante que nenhum outro personagem possa desafiar sua autoridade narrativa. Não há debates complexos e em camadas ou impasses intelectuais no roteiro. Nesse vácuo, até a atuação de Bajpayee deixa de parecer orgânica e passa a parecer uma exibição de atuação.
Governador está atualmente em exibição nos cinemas
Publicado – 12 de junho de 2026 15h47 IST










