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‘As crianças muçulmanas estão realmente sub-representadas’: o filme de animação onde a matemática medieval encontra mentes jovens ansiosas

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‘SAlgumas pessoas disseram que isso não existe – que é uma fantasia.” É o que diz Flordeliza Dayrit sobre a rota da seda, a vasta rede de rotas comerciais que outrora ligava a Ásia, a África e a Europa – e o local de partida de Time Hoppers: The Silk Road, a animação que ela co-criou com o marido, Michael Milo.

Falando de sua casa em Edmonton, Canadá, o casal descreve um projeto que começou com uma intriga pessoal e se transformou em algo muito mais ambicioso. Com o seu lançamento teatral nos cinemas do Reino Unido, Time Hoppers transforma este sentimento de curiosidade numa aventura infantil veloz: uma história em que quatro jovens protagonistas viajam no tempo até ao mundo islâmico medieval, conhecendo cientistas e académicos cujas descobertas moldam a nossa vida quotidiana atual.

“É uma aventura de ação e viagem no tempo para famílias e crianças”, diz Milo. “Torna-se uma perseguição de gato e rato.”

As crianças – Abdullah, Aysha, Khalid e Layla – tropeçam num dispositivo de viagem no tempo num laboratório, apenas para serem perseguidas por um alquimista desonesto que descobriu o seu poder. À medida que a história se desenrola através de cidades, países e séculos, o grupo tem a tarefa de recuperar o dispositivo, ao mesmo tempo que protege figuras históricas importantes de interferências.

“O que estamos tentando fazer é tornar o aprendizado sobre aquela época divertido e interessante”, diz Milo. “Os indivíduos que encontram são cientistas e estudiosos muito influentes.”

Entre eles estão Al-Khwarizmi, considerado o “pai da álgebra”, Ibn al-Haytham, um pioneiro que explorou a câmara escura, e Mansa Musa, governante do império do Mali que se pensa ter sido o homem mais rico que já existiu. O filme também destaca figuras como Maryam al-Astrulabi, uma mulher síria do século X que desenvolveu o instrumento astronômico astrolábio.

“Queríamos mostrar que não eram apenas os homens que eram acadêmicos ou cientistas – também havia muitas mulheres que estavam na vanguarda”, diz Dayrit.

Desde o início, diz Dayrit, a intenção não era fazer algo exclusivamente para o público muçulmano. “Queríamos que o resto do mundo também aproveitasse.”

Quando as crianças viram o filme, Dayrit disse que elas tinham “a mente muito aberta” e “adoravam aprender sobre outros lugares e histórias”.

Construindo uma noção detalhada de cada período… Time Hoppers: The Silk Road

As origens do projeto não estão no cinema, mas na educação. Antes de Time Hoppers se tornar um recurso, ele existia como um e-book, depois se expandiu para um jogo e uma série de televisão inédita – parte de um ecossistema mais amplo desenvolvido através da Muslim Kids TV, a plataforma que o casal fundou há quase duas décadas.

“Fazemos conteúdo para crianças há quase 20 anos”, diz Milo. “E sabíamos que as crianças muçulmanas estão realmente sub-representadas.”

Ele e Dayrit se converteram ao Islã de forma independente em 1995, antes de o casal se casar no ano seguinte, e suas experiências ao descobrirem sua fé moldaram a direção de seu trabalho. A Muslim Kids TV começou como conteúdo educativo e divertido para seus próprios filhos, mas evoluiu para uma missão mais ampla de criar histórias nas quais as crianças muçulmanas pudessem se ver refletidas.

“Para nós, era muito importante ter uma história onde, antes de mais nada, as crianças fossem os heróis”, diz Dayrit. Essa ênfase está ligada a uma ideia mais ampla sobre representação: “Não se trata apenas de visibilidade, trata-se também de possibilidade”.

Tanto para Dayrit como para Milo, isto é moldado pelo contexto em que muitas crianças muçulmanas na Europa e na América do Norte estão a crescer – com a islamofobia a aumentar e a ver retratos negativos sobre as suas identidades nos meios de comunicação social. “Quando você ouve isso constantemente, nas notícias e na vida cotidiana, você começa a acreditar que não pertence a esses espaços”, diz Dayrit. “É importante que eles saibam que pertencem.”

Time Hoppers é, em parte, uma tentativa de contrariar essa mensagem reformulando a história. A produção trabalhou com pesquisadores para construir uma noção detalhada de cada período, da arquitetura ao figurino, para apresentar ao público jovem um elenco mais amplo de figuras históricas do que aqueles do currículo escolar. “Eles aprendem sobre Aristóteles ou Platão”, diz Milo, “mas é igualmente importante que compreendam que existem outras pessoas que contribuíram para o mundo”.

Um amplo elenco de figuras históricas… Time Hoppers: The Silk Road

A estratégia de lançamento do filme também moldou sua trajetória. Inicialmente começou com uma tiragem limitada que rapidamente se expandiu após uma forte participação do público. Nos EUA, o filme foi lançado em 660 cinemas, com mais de 35 mil ingressos vendidos. No Reino Unido, o filme passou de 200 para 299 cinemas. A equipe já está trabalhando em uma sequência.

“O que estamos mostrando à indústria cinematográfica é que as histórias muçulmanas não são um nicho. Elas podem ser globalmente relevantes e comercialmente viáveis”, diz Dayrit.

Grande parte do impulso veio do envolvimento comunitário de base. “Temos campeões locais que estão entusiasmando as pessoas e espalhando a palavra”, diz Milo.

“Sempre tivemos o objetivo de nos tornarmos a Disney do mundo muçulmano”, diz Dayrit. Por enquanto, porém, o foco permanece nas crianças que assistem. “Queremos que eles se sintam orgulhosos e sintam que podem fazer a diferença.”

Ou, como ela diz de forma mais simples, relembrando a mensagem que partilha com as crianças que espera que o público transmita: “As mãos servem para ajudar, as palavras são gentis e as ideias são corajosas”.

Time Hoppers está em lançamento agora

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