Os cinéfilos entendem que quase todo filme é, no fundo, um diário de viagem – mesmo que ocorra na cidade vizinha – e que a maioria dos diários de viagem podem parecer histórias de amor, quer alguém termine junto ou não. Esse é o apelo extravagante e carregado de “Erupcja”, estrelado por Charli XCX, uma mistura de romance, fuga e coincidência perturbadora na Varsóvia moderna do micro-autor americano Pete Ohs.
Se você colocar a filmagem de um vulcão expelindo fumaça sob o título polonês, você entenderá o que a palavra significa, que é exatamente o que Ohs faz no início, tingindo sua moldura quadrada no estilo artístico dos anos 60 e adicionando uma faixa classic no estilo Mancini de uma cantora polonesa. Tanto melhor para semear a crença de que estamos prestes a vivenciar algo onírico e convulsivo.
Dito isto, não é por causa de um vulcão que o casal britânico Bethany (Charli XCX) e Rob (Will Madden) chegou a Varsóvia. Esse barulho que você ouve também pode ser apenas malas roladas pelas ruas antigas. O plano surpresa do Besotted Rob period pedir Bethany em Paris em casamento – conforme nos foi revelado em uma narração onipotente (por Jacek Zubiel) que preenche os sentimentos e histórias de nossos protagonistas.
Bethany escolheu Varsóvia, no entanto, porque ela tem uma reavivação em mente, na forma de sua amiga de longa knowledge Nel (Lena Góra), uma florista para quem a chegada inesperada de Bethany à sua varanda uma noite – fugindo de seu Airbnb com Rob – é complicada e emocionante. Com a notícia de que o Monte Etna, em Itália, acabou de entrar em erupção, aterrando aviões em toda a Europa, uma poderosa paixão que forjaram quando adolescentes, alimentada por drogas, discotecas, conversas sinceras e poesia, foi mais uma vez desencadeada. É a coisa deles: sempre que Bethany e Nel se conectam, um vulcão se anuncia em algum lugar do mundo. Ai do namorado alucinado ou, no caso de Nel, da namorada exasperada (Agata Trzebuchowska), deixada para trás para tirar o pó das cinzas.
“Erupcja”, que Ohs também fotografou e editou com entusiasmo impressionista, se desenrola como se o ar brincalhão de mistério de Jacques Rivette e a melancolia terrena de Roberto Rossellini tivessem de alguma forma se unido para formar um zillennial com um coração inquieto. Ohs faz filmes com a participação criativa do momento de seu elenco – ele, Charli, Madden, Góra e o dramaturgo Jeremy O. Harris, que interpreta um amigável artista americano, são os escritores creditados e todo o empreendimento desmorona como um coquetel de ruminações e desvios inventados na hora, mas não ao acaso.
Você sente a agitação (a música de Charlie Watson e Isabella Summers desempenha um papel importante), a ressaca, mas também uma aura de remédio e renovação. É tudo muito humano, evidente no retrato sutilmente brincalhão da estrela pop de alguém atraído pelo abandono (Charli definitivamente deveria continuar atuando), mas também na mágoa madura e discreta de Madden e em como Góra sugere a metade mais fundamentada de uma dupla automitologizadora. Ohs trabalha com detalhes evocativos: molduras coloridas inseridas, como flashes de humor ou uma cena de um telefone solitário tocando, nunca sendo atendido.
Ele deixa para você se perguntar se Bethany e Nel já foram mais do que amigas – “Não é Romeu e Julieta”, Nel declama friamente de sua varanda ao avistar Bethany esperando lá embaixo – mas o que é divertido é como isso não vem ao caso. O apelo ousado de “Erupcja” está na forma como mapeia os humanos como moléculas e eletrões, efervescentes pela localização, inspirados pela ligação, levados a pairar, fundir-se e libertar-se. Os personagens podem oscilar um pouco e alguns se sentirão perdidos, mas você saberá que foi levado a algum lugar novo por este charmoso indie.
‘Erupcja’
Em inglês e polonês, com legendas
Não classificado
Tempo de execução: 1 hora e 12 minutos
Jogando: Estreia sexta-feira, 17 de abril no Landmark’s Nuart Theatre











