No início desta semana, quando foi anunciada a viagem repentina do presidente brasileiro Lula da Silva a Washington, Brasília estava repleta de especulações sobre se a visita teria algo a ver com as próximas eleições. O burburinho se intensificou quando Flávio Bolsonaro, o suposto candidato de extrema direita, voou para Miami um dia antes da reunião de Lula com Donald Trump na quinta-feira (8 de maio de 2026).
Enquanto Flávio foi se misturar com seus aliados da direita americana, Lula chegou a Washington com importantes assuntos de Estado em sua agenda —tarifas, minerais de terras raras e conflitos globais. Com os laços entre os dois países cada vez mais acirrados, a tensão period palpável quando Lula desembarcou em Washington.
Boas-vindas no tapete vermelho
Mas Trump recebeu Lula calorosamente no tapete vermelho da Casa Branca antes de iniciarem negociações que duraram três horas. Embora nenhuma declaração conjunta tenha sido emitida após a reunião, ambos os líderes divulgaram declarações positivas. Publicando em sua plataforma de mídia social, Trump descreveu as negociações como “muito boas” e elogiou Lula como um líder “muito dinâmico”. Lula também classificou as negociações como um “passo importante” nas relações bilaterais. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa da qual não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania”, disse o Presidente brasileiro.
As tarifas foram a primeira questão colocada na mesa. No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Os temores de novas sanções persistiram quando Washington abriu recentemente uma investigação sobre a plataforma de pagamento digital PIX do Brasil, muitas vezes comparada ao sistema UPI da Índia. Mas a reunião produziu um avanço, com ambas as partes a concordarem em criar um grupo de trabalho sobre tarifas. Lula disse ter proposto pessoalmente o mecanismo, que reuniria os grupos dos dois países para negociar uma solução no prazo de 30 dias. “Quem estiver errado cederá. Se tivermos que ceder, cederemos”, disse Lula em Washington.
Sala de respiração
Segundo fontes brasileiras, o período de 30 dias não só dará a Brasília algum espaço para respirar, mas também ajudará a preparar-se para outra reunião entre Trump e Lula na cimeira do G7 em França, no próximo mês. “Este prazo foi preparado tendo em mente a reunião do G7”, disse uma autoridade brasileira sob condição de anonimato. “Agora, podemos esperar discussões intensas entre os dois lados e, se tudo correr bem, talvez até um anúncio na cimeira do G7.”
A visita à Casa Branca já é vista como uma vitória de Lula. Embora os dois presidentes discutissem tarifas e minerais de terras raras, evitaram questões controversas como o PIX e a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações “terroristas” – uma proposta que Trump tem defendido há meses. “Agora Trump vai pensar duas vezes antes de tomar decisões contrárias aos nossos interesses. O fato de Lula ter usado repetidamente a palavra ‘soberania’ foi essencial”, disse Celso Amorim, assessor especial do presidente brasileiro para política externa.
Mas foi a discussão sobre os minerais de terras raras que projetou o verdadeiro propósito estratégico da visita de Lula a Washington. Enquanto Trump se prepara para uma cimeira com o presidente chinês, Xi Jinping, na próxima semana, o Brasil subitamente se viu no centro da crescente competição entre os EUA e a China. Lar das segundas maiores reservas mundiais de minerais críticos, o Brasil é visto pelos EUA como uma alternativa potencial à China nas cadeias de abastecimento globais.
Investimentos americanos
Em Washington, Lula resistiu à pressão para alinhar o Brasil exclusivamente com Washington em relação aos minerais críticos, mas não fechou a porta aos investimentos americanos. “Temos que acompanhar essas coisas com mais precisão. Temos muito interesse em que os EUA voltem a investir no Brasil”, disse Lula. No entanto, Lula deixou claro que o Brasil não aceitaria o antigo modelo de exportação de riqueza bruta sem ganhos internos. “Então, com as terras raras, vamos mudar nosso comportamento. Queremos que o Brasil seja o grande ganhador dessa riqueza que a natureza nos deu.”
A iniciativa das terras raras também faz parte da tentativa do Brasil de se posicionar como um grande interveniente world, sem irritar a China – o seu maior parceiro comercial e investidor. Um dia antes da viagem de Lula, o Congresso brasileiro aprovou um projeto de lei que cria uma estrutura authorized para minerais críticos e terras raras. Após a reunião de Lula com Trump, o governo disse que o projeto de lei poderia ser aprovado pelo Senado ainda este mês. “Contei ao presidente Trump sobre a lei sobre minerais críticos e também sobre a criação de um Conselho que tratará a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional”, disse Lula após a reunião.
Se Lula usou terras raras para projectar o papel world do Brasil, foi igualmente cuidadoso em proteger o seu território nacional. Apesar das intensas especulações antes da viagem, Lula garantiu que as próximas eleições no país não aparecessem em seu bate-papo com Trump. Isso foi politicamente significativo, dados os laços estreitos entre Trump e o clã Bolsonaro. Enquanto persistiam as especulações na mídia, Lula negou ter falado sobre eleições com Trump. “Não há possibilidade de eu discutir esse assunto com nenhum presidente. Essa é uma questão brasileira. Eles sabem disso; eles também são presidentes”, disse Lula.
A reunião em Washington foi a terceira entre Lula e Trump desde que o líder republicano regressou à Casa Branca em 2025. No seu primeiro encontro, em Setembro do ano passado, Trump observou que os dois líderes partilhavam uma “excelente química”. A última reunião ocorreu em um clima muito mais tenso. Mas analistas brasileiros acreditam que Lula saiu de Washington com uma vitória. “Muitas pessoas pensaram que Lula cairia em alguma armadilha ou que preparariam uma emboscada, como aconteceu com outros chefes de Estado, mas nada disso aconteceu”, disse Ricardo Kotscho, um proeminente comentarista político no Brasil. “Desde a sua chegada até as declarações do presidente Trump e as fotografias divulgadas, mostra que foi um grande sucesso e uma vitória diplomática para Lula.”
Lula foi a Washington poucos dias antes da viagem de alto risco de Trump a Pequim. Com a expectativa de que os dois líderes se reúnam novamente na Cimeira do G7, em Junho, as negociações sobre tarifas e terras raras só poderão intensificar-se nas próximas semanas.
Publicado – 09 de maio de 2026 16h05 IST











