Vida e morte severina de um cavalo em Paraty

Paraty é cada vez mais reconhecida mundialmente como referência cultural. Infelizmente, em outros aspectos, ainda nos encontramos na era medieval. Um contraste que vem manchando a imagem paratiense de forma muito negativa no mundo inteiro. A questão das charretes de passeio, já faz com que Paraty não seja escolhida como roteiro turístico por muitos viajantes que possuem consciência deste tipo de crueldade praticada com os cavalos por aqui.
Infelizmente, muitos carroceiros e charreteiros vêem neste modo de subsistência algo comum ou talvez não recebam recursos para realizar outra atividade para seu sustento que não seja através da exploração animal.
Basta o cidadão paratiense sair as ruas para se deparar facilmente com a atrocidade disfarçadas de turismo e trabalho justos. Justos para quem? Os cavalos são usados como máquinas, de Sol á Sol, torcendo seus tornozelos, soltando suas ferraduras que dilaceram seus cascos já estraçalhados pelas pedras irregulares no centro histórico, muitas vezes desmaiam de exaustão. Não têm direito á mínima dignidade, passam fome, sede, transportando todo e qualquer tipo de carga, sem limites de peso ou crueldade, simplesmente porque assim o desejamos.
Há tempos, a ciência já comprovou e os reconhece como “seres sensciêntes”, ou seja, sentem emoções, dor, cansaço e são consciêntes de sua triste realidade; Que seus corpos serão escravizados do primeiro ao último suspiro que tiverem o direito de dar em sua existência.
Mas porque Paraty não consegue seguir o exemplo de tantas outras cidades turísticas e acabar com essa situação tão triste, como em Paquetá por exemplo, onde foi dado outro meio de subsistência aos carroceiros e o turismo cruel foi abolido? Esta é uma questão, que somente a população local pode cobrar dos órgãos competentes para que haja uma solução definitiva, tanto para quem depende destas atividades, quanto para a alforria destes animais. É preciso consciêntização por parte de quem usa os serviços de carroceiros e daqueles que apreciam este turismo cafona e cruel.
Todo cavalo que nasce em Paraty, já tem seu destino traçado, de ter vida e morte severinas, sem a menor chance de escapar da sina que lhe é imposta, sem chance de defesa, sem cogitação de liberdade, habeas corpus ou condicional, apenas possui o direito garantido, do momento de seu nascimento ao da morte eminente trágica que o aguarda, abandonado, na agonia de não mais ter forças para servir á quem pensa ter o direito sobre seu corpo.
Mas até quando seremos obrigados á assistir esta barbárie animal? Me parece que esta resposta ainda esta muito distante para a nossa bela cidade, que contrasta sua beleza natural com a agonia destes escravos que não possuem voz mas que, basta observar suas expressões para compreender perfeitamente que o inferno seria mais suave do que ter o azar de nascer cavalo por aqui.
Deixo aqui para você refletir, caro leitor do Paraty Vip, até que ponto essa imagem de escravizar animais é positiva para nossa cidade que sobrevive do turismo, em um mundo cada vez mais consciênte de que as atrocidades cometidas contra animais, não são mais vistas com bons olhos. Não teríamos nós a obrigação de não nos omitirmos para este holocausto bem abaixo de nossos narizes que há muito, já foi abolido em muitas cidades turísticas muito menos encantadoras do que a nossa?
Até quando Paraty?

Renata Ribeiro

Renata Ribeiro

Renata de Almeida Ribeiro, carioca, moradora de Paraty em diferentes períodos de sua vida, alternados entre cidades interioranas do Rio de Janeiro e o exterior. Fisioterapeuta, empresária e defensora da causa animal em todos as cidades pelas quais passa. Atua em Paraty como colaboradora das atividades do Bazar do Barão e na conscientização da população contra maus tratos e bem estar animal.

Um comentário em “Vida e morte severina de um cavalo em Paraty

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    16 de junho de 2019 em 19:24
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    A cidade com esses animais sendo sacrificados numca mais.e estou fazendo denuncias e da.mesma forma q em.peteopolis parpu ai tmb precisa parar de existir.

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