Por que o pole dance empodera as mulheres e por que isso incomoda?

Antes de falar sobre o empoderamento feminino por meio do pole dance, é preciso entender basicamente o que significa empoderar. No sentido mais simples da palavra, no dicionário talvez (confesso que não consultei e sou de uma época em que não se ouvia falar muito nessa palavra que parece ter sempre existido em nosso vocabulário) significa dar poder a alguém. Garantir o poder, o direito e a autoridade sobre algo. Ou seja, empoderar mulheres significa garantir o poder, o direito e a autoridade sobre seu corpo. Posse nesse sentido mesmo, de propriedade, assim como seu carro ou celular. O que para nossa sociedade, ainda não é bem compreendido. Não temos poder sobre nossos corpos, ele é entendido como bem um público, assim como um ônibus ou os finados orelhões para questões relacionadas aos nossos diretos reprodutivos e nossa aparência e como bens privados de pais, maridos, namorados e preencha a lista com um personagem qualquer história que já tenhas escutado…

A mulher empoderada, seja por qualquer meio, incomoda. Isso porque ela tem poder sobre seu corpo. Ela engravida se quiser, ela tem quantos filhos ela quiser, se ela quiser ter filhos. Ela usa a roupa que ela quer. Ela vai onde ela quer. Ela exibe seu corpo como qualquer outra propriedade que tenha, esperando que a sociedade tenha o mesmo respeito que tem pelas suas outras propriedades materiais. Não é porque exibo o meu carro que eu mereço ser roubada, então porque eu exibo meu corpo ele merece ser violado? Se meu celular não é o modelo que a propaganda diz ser bonito, não vou escondê-lo ou deixar de usá-lo, por que tenho que esconder meu corpo ou negligenciá-lo se ele não se parece com o da propaganda?  

E o pole dance, onde entra nisso? Desde seus primórdios (ai já é uma outra longa história…) empodera. Dentre vários outros aspectos, ele faz do seu praticante dono do seu corpo, pois nos obriga a nos reconhecermos. Nos obrigada a encararmos um espelho de uma forma que não fazemos na correria do dia a dia. E ao reconhecer o nosso corpo, suas belezas, suas habilidades, limites e dificuldades superadas, de repente, como uma coisa muito natural, ele nos traz a aceitação própria, a valorização, onde a opinião do outro passa a ter cada vez menos importância. Ele traz essa sensação de posse, poder sobre nosso corpo.

E por que isso incomoda? Porque ao ter a posse do seu corpo, a mulher empoderada pelo pole  faz o que ela quiser com ele. Não importa se o namorado, pai, marido, digam que ela não pode ou não deve usar roupas curtas. Ela precisa de roupas curtas para que tecnicamente consiga fazer movimentos. Ela não se importa que qualquer um diga que seu corpo não é bonito ou não deveria ser mostrado, porque ela se orgulha dele  e de tudo que ele é capaz de fazer e superar. E isso incomoda, muito. Principalmente porque ela faz isso por ela e não para agradar ninguém, nem o público (sociedade em geral) nem o privado (pessoas com quem se relaciona).

E você, se sente incomodado(a) com a mulher empoderada? Quando uma pole dancer veste roupas curtas e abre espacate de ponta cabeça, isso te choca? Como você julga essa mulher? Por que você a julga? Já se perguntou por que você se sente assim?

Para todas as dúvidas, existe sempre alguém para explicar e a partir desse texto estaremos aqui, para contar histórias, desvendar mitos e esclarecer dúvidas sobre essa arte que ainda choca e sofre muito preconceito, mas que a cada dia tem ajudado mais e mais mulheres (e homens também, pois ainda não descobrimos ainda quem foi o otário que disse que no mundo tudo tem que ser binário) a se descobrirem e se empoderarem.

Um grande abraço! #paz

 

Patricia Menezes

Patricia Menezes

É instrutora e proprietária da Pole Haus no Jabaquara. Pratica Pole Dance há 5 anos e desde então encontrou um novo amor na vida, diferente da sua formação em relações internacionais e ciência política. Treinou no @studiometropole em SP com os maiores nomes do pole dance nacional e workshops com estrelas internacionais como Marlo Fisken, Maddie Sparkle, Slava Ruza, Polina Ginger, Sasha Meow, Olga Koda e Carmine Black e o Program of Pole Dance Instructor da Grazzy Brugner. Dançar de salto (seja o estilo Classic ou Exotic) é a sua praia mas também adoro um floorwork ou um pole flow com muitos giros e transições.