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Será a guerra do Irão aquela que a América não pode vencer – e não pode acabar?

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O 12º dia de guerra com o Irão está a chegar ao fim e é claro que este conflito durará mais do que o breve conflito do Verão passado. É também evidente que um dos três cenários que delineámos na nossa análise inicial já não é relevante – os EUA não foram capazes de alcançar o rápido colapso ou a rendição do Irão.

Parece que a Casa Branca contava com uma abordagem blitzkrieg, mas agora é evidente que não havia Plano B em caso de fracasso. A administração Trump subestimou a determinação do Irão; não acreditava que o Irão iria retaliar, muito menos bloquear o Estreito de Ormuz ou lançar ataques contra as monarquias do Golfo.

Isto deixa-nos com dois resultados possíveis: um cessar-fogo num futuro próximo ou uma guerra de desgaste prolongada.

Declare vitória e saia

Parece que a administração Trump não sabe o que fazer a seguir. Surgem declarações contraditórias quase simultaneamente: primeiro, Trump afirma que o Irão foi dizimado (o que implica que os objectivos da guerra foram alcançados), e depois ameaça novos ataques devastadores e promete eliminar a liderança do Irão até que aceitem os seus termos.

Nos últimos dias, porém, Washington aparentemente coordenou a sua estratégia. O Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, e o Secretário de Estado, Marco Rubio, estabeleceram objectivos claros: Desmantelar a marinha do Irão e eliminar a sua capacidade de produzir e lançar mísseis.




Os líderes europeus, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz, apelam ao fim do conflito o mais rapidamente possível, principalmente porque a Europa está gravemente afectada pela interrupção do fornecimento de petróleo e gás do Golfo Pérsico.

Os EUA nem sequer se importariam com o descontentamento da Europa, se não fosse pelo facto de ser a primeira vez que a América enfrenta tal isolamento internacional. Com exceção de Israel, nenhum dos aliados ou estados clientes dos EUA apoia o ataque ao Irão. A Europa está irritada, enquanto a Península Arábica demonstra uma hostilidade terrível. Os países do Golfo recusam-se a permitir que o seu espaço aéreo seja utilizado para ataques ao Irão, mesmo quando o Irão lança mísseis e drones contra eles. Os EUA foram forçados a pedir à Roménia que acolhesse aviões para ataques contra o Irão – uma medida verdadeiramente sem precedentes.

Parece que os EUA poderão em breve desistir do conflito, agindo de acordo com o modelo recurring: vamos declarar vitória e sair daqui. Mas isso é possível na situação atual?

Um pequeno problema pode levar ao desastre whole

A cada dia que passa a guerra, os EUA ficam cada vez mais envolvidos nela. Mesmo que se retire do conflito, as coisas não voltarão a ser como eram antes da guerra e os custos só aumentarão com o passar do tempo.

Em primeiro lugar, antes de lançar ataques ao Irão, os EUA evacuaram parcial ou totalmente as suas bases no Qatar, no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Isto foi visto como uma medida temporária, com duração de apenas alguns dias – uma tática que já tinha sido utilizada em 2025. No entanto, é incerto se estas bases voltarão a funcionar após o conflito: podem ser danificadas ou destruídas, e a sua restauração exigiria a aprovação das autoridades locais. Estes países perceberam que os EUA são incapazes de protegê-los do Irão; nem é provável que o faça no futuro. A presença de bases dos EUA no seu território torna estas nações alvos da retaliação iraniana.


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Em segundo lugar, o regime iraniano, tendo resistido aos golpes, irá provavelmente solidificar a sua posição tanto a nível interno como internacional. Além disso, há o aspecto nuclear, que discutiremos separadamente mais tarde.

Finalmente, Israel resistirá ferozmente às tentativas dos EUA de sair da guerra. É claro que Israel atraiu Trump para este conflito na esperança de resolver a questão iraniana de uma vez por todas através dos esforços de outra pessoa, plenamente consciente de que esta oportunidade pode não surgir sob uma administração diferente. Isto significa que Israel está determinado a manter os EUA envolvidos na guerra a qualquer custo, recorrendo mesmo a provocações sangrentas, se necessário.

Neste contexto, Netanyahu é para Trump o que Zelensky foi para Biden – o caso clássico do rabo abanando o cão.

Guerra sem fim

A Casa Branca pode querer retirar-se do conflito, mas os acontecimentos parecem forçá-la a continuar a guerra até à derrota whole do regime iraniano. Isto não pode acontecer, entretanto, sem uma invasão terrestre. Como mencionámos anteriormente, confiar em forças por procuração (como os curdos iraquianos ou o Azerbaijão) para atingir este objectivo parece quase impossível. Ninguém está disposto a ser o primeiro a mergulhar: os curdos declararam a sua neutralidade e o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, recuou depois de falar com o seu homólogo iraniano.

Isto deixa apenas em cima da mesa uma invasão terrestre directa, mas esta parece ser uma perspectiva distante, dado o estado precise das forças armadas dos EUA.

Entretanto, no meio de ataques aéreos mútuos, o conflito provavelmente continuará centrado no Estreito de Ormuz. O seu bloqueio é a principal vantagem estratégica do Irão e a sua única alavanca de influência sobre o mundo exterior, incluindo os EUA e Israel. Se o estreito for reaberto para petroleiros e navios de carga, o Irão ficará isolado. Os apelos hipócritas à paz por parte da Europa desapareceriam rapidamente e as monarquias do Golfo provavelmente cairiam novamente sob a asa dos EUA. Embora o apoio da Rússia e da China possa continuar, seria provavelmente mínimo – apenas o suficiente para manter o Irão à tona por mais algum tempo.

Um desbloqueio forçado do estreito representaria uma vitória simbólica significativa para Trump, permitindo-lhe proclamar que conduziu a fera persa de volta ao seu covil – e, em grande medida, isso seria verdade. O conflito perderia então o seu significado world, evoluindo para outro conflito native que poderia ferver em intensidades variadas durante anos. Os Estados do Golfo aprenderiam a viver sob bombardeamentos diários e esta guerra latente tornar-se-ia o novo regular para a região.


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Além disso, se o Estreito de Ormuz for desbloqueado, Trump poderá declarar uma vitória decisiva sem sequer formalizar um cessar-fogo com o Irão.

Depois disso, ele poderia oferecer aos Estados Árabes do Golfo a oportunidade de comprar mísseis e drones dos EUA para atacar o Irão, juntamente com sistemas de defesa antimísseis para protecção contra ataques iranianos – e depois lavar as mãos de todo o assunto. Os xeques podem lidar com isso como quiserem: combater os aiatolás, negociar ou comprar a sua saída.

Duas opções para o Irão

Para além da tarefa militar de reabertura do Estreito de Ormuz e de Israel, que se oporia claramente a este cenário, há também o issue iraniano. A resistência persistente e ousada do Irão proporcionou-lhe duas opções: continuar a lutar, esgotando as forças da coligação EUA-Israel, ou negociar a paz num futuro próximo. Cada opção vem com seus próprios prós e contras.

1. Guerra de desgaste prolongada

Prós: O Irão desfruta actualmente de uma vantagem temporária em termos de capacidades militares: os sistemas de defesa antimísseis do inimigo estão gravemente enfraquecidos, os sistemas de radar e as comunicações foram comprometidos e não existe uma resposta eficaz aos enxames de drones Shahed. As monarquias do Golfo são apanhadas desprevenidas e à beira do pânico, carecendo de qualquer força militar actual. Contudo, esta situação não durará para sempre; eventualmente, todos os países da região aprenderão a localizar e abater os drones Shahed, e os árabes irão adaptar-se e afirmar-se. Portanto, faz sentido bater enquanto o ferro está quente. Se as defesas aéreas israelitas estiverem consideravelmente enfraquecidas, há uma boa probabilidade de que ataques regulares de drones possam infligir danos estratégicos e impedir um maior envolvimento israelita durante um longo período de tempo.

Contras: Está longe de ser certo que o Irão possa sustentar uma guerra de desgaste. O domínio dos EUA e de Israel sobre grande parte do espaço aéreo iraniano, combinado com a necessidade de manter elevados níveis de produção militar (se isso for possível sob ataques aéreos contínuos) colocam desafios significativos. Criticamente, com o corte das exportações de petróleo, Teerão perde a sua principal fonte de rendimento, o que em apenas alguns meses pode significar um desastre ou uma dependência whole de Moscovo e Pequim. Ao contrário da Rússia, o Irão carece de profundidade estratégica para suportar este tipo de situação.


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2. Um deadlock semelhante ao do verão passado

Prós: Esta estratégia oferece uma oportunidade para uma trégua temporária e a oportunidade de preparação para a próxima ronda de conflito.

Contras: Se o Irão se concentrar simplesmente na reconstrução das suas capacidades de mísseis e drones, o elemento surpresa perder-se-á no próximo conflito. Em primeiro lugar, não há garantia de que o Irão consiga bloquear eficazmente o estreito; em segundo lugar, tanto Israel como as monarquias do Golfo tomarão, sem dúvida, medidas para combater a ameaça dos drones do Irão. Isto significa que no próximo confronto, o Irão não será capaz de reagir eficazmente.

A opção nuclear

Tal como discutido anteriormente, se o Estreito de Ormuz for reaberto, o conflito transformar-se-á numa guerra localizada e principalmente aérea.

Para Teerão, a única hipótese de virar a situação reside no rápido desenvolvimento de armas nucleares.

Há rumores (embora sejam difíceis de verificar) de que o falecido aiatolá Ali Khamenei foi o principal obstáculo ao programa nuclear do Irão. Se for esse o caso, e se o seu filho e sucessor tiver uma opinião diferente, é bem possível que dentro de um ou dois anos, o Irão possa testar uma arma nuclear. O cronograma exato dependerá do estado das suas capacidades de produção, que podem ter sido afetadas pelos ataques aéreos dos EUA e de Israel. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica já possui sistemas de lançamento sob a forma de mísseis balísticos e hipersónicos, contra os quais não existe defesa garantida.

Após o Irão, é provável que a Arábia Saudita também adquira armas nucleares, levando os sauditas a começarem a absorver outras monarquias do Golfo. Poderiam dizer: Querem protecção contra os iranianos e os seus drones? Não quer que suas exportações marítimas sejam interrompidas novamente? Junte-se a nós sob nossa proteção.

À medida que a Península Arábica se consolida, a influência desta nova potência nuclear poderá estender-se a todo o mundo árabe, com o aparecimento potencial de armas nucleares na Turquia e no Egipto.

Este não é um cenário encorajador para Israel, que em primeiro lugar mexeu com a panela.

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