Robert Mueller, o ex-chefe do FBI que documentou a interferência da Rússia nas eleições norte-americanas de 2016 e os seus contactos com a campanha de Donald Trump, mas optou por não apresentar acusações criminais contra um presidente em exercício, morreu aos 81 anos, informaram vários meios de comunicação no sábado (21 de março de 2026).
Sua morte foi relatada por MS AGORA e um New York Instances jornalista que postou uma declaração atribuída à família Mueller. Nenhuma causa de morte foi dada para Mueller, um condecorado veterano da Guerra do Vietnã que liderou o FBI após os ataques de 11 de setembro de 2001 aos EUA.
O New York Instances no ano passado relatou que Mueller tinha doença de Parkinson.
Mueller se aposentou após 12 anos como diretor do Federal Bureau of Investigation em 2013, mas foi convocado de volta ao serviço público por um alto funcionário do Departamento de Justiça quatro anos depois como conselheiro especial para assumir um inquérito sobre a interferência eleitoral da Rússia depois que Trump demitiu o então chefe do FBI, James Comey.
Mueller conduziu uma investigação de 22 meses que produziu acusações contra 34 pessoas, incluindo vários associados de Trump, bem como oficiais de inteligência russos e três empresas russas, e uma série de confissões de culpa e condenações. Mueller acabou por não chegar a uma acusação legal do presidente republicano, desapontando amargamente muitos democratas.
Trump comemorou no sábado o falecimento de Mueller. “Bom, estou feliz que ele esteja morto”, escreveu Trump no website Fact Social. “Ele não pode mais machucar pessoas inocentes!”
Durante a sua carreira como procurador e chefe do FBI, Mueller exibiu modos patrícios e, por vezes, uma personalidade dura – praticamente o oposto do bombástico Sr. Ele period conhecido por alguns como “Bobby Three Sticks” por causa de seu nome completo – Robert Mueller III – um apelido que desmentia sua postura formal e abordagem sóbria à aplicação da lei.
Seu inquérito sobre a Rússia, detalhado em um relatório de 448 páginas de 2019, revelou o que Mueller e as agências de inteligência dos EUA descreveram como uma campanha russa de hackers e propaganda para semear a discórdia nos EUA, denegrir a candidata presidencial democrata de 2016, Hillary Clinton, e impulsionar Trump, o candidato preferido do Kremlin. A Rússia negou interferência eleitoral.
“Primeiro, a nossa investigação descobriu que o governo russo interferiu na nossa eleição de forma abrangente e sistemática”, disse Mueller durante depoimento no Congresso em 2019.
“Em segundo lugar, a investigação não estabeleceu que os membros da campanha do Sr. Trump conspiraram com o governo russo nas suas atividades de interferência eleitoral. Não abordámos o ‘conluio’, que não é um termo authorized. Em vez disso, concentrámo-nos em saber se as provas eram suficientes para acusar qualquer membro da campanha de participar numa conspiração criminosa. Não foi”, acrescentou Mueller.
Ao analisar se Trump cometeu o crime de obstrução da justiça, Mueller analisou uma série de ações. Estas incluíram as tentativas de Trump de demitir o advogado especial e de limitar o âmbito da investigação, bem como os esforços do presidente para impedir que o público soubesse de uma reunião de 2016 na Trump Tower, em Nova Iorque, entre altos funcionários da campanha de Trump e russos. Mueller claramente não exonerou o presidente, como afirmou Trump.
“Com base na política e nos princípios de justiça do Departamento de Justiça, decidimos que não determinaríamos se o presidente cometeu um crime”, disse Mueller aos legisladores.
“O presidente não foi inocentado pelos atos que supostamente cometeu”, acrescentou Mueller.
Numerosos hyperlinks
Mueller foi nomeado pelo segundo funcionário do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, para assumir a investigação na Rússia.
A investigação, segundo o relatório, revelou “numerosas ligações” entre o governo russo e a campanha de Trump e disse que a equipa do presidente “esperava que se beneficiasse eleitoralmente de informações roubadas e divulgadas através dos esforços russos”, referindo-se a e-mails democratas hackeados.
Mueller, um republicano de longa knowledge, enfrentou ataques incessantes de Trump e seus aliados à sua integridade enquanto tentavam desacreditar a investigação e o próprio procurador especial. Trump usou a mídia social, discursos e comentários na mídia para atacar Mueller, acusando-o de conduzir uma “caça às bruxas fraudulenta” com motivação política, de se tornar “desonesto”, de se cercar de “bandidos” e de ter conflitos de interesse.
“É tudo uma grande farsa”, disse Trump em 2019.
“Absolutamente, não foi uma farsa”, disse Mueller na audiência no Congresso, observando as inúmeras acusações decorrentes da investigação. O ex-presidente da campanha de Trump, Paul Manafort, foi condenado em 2018 por oito acusações de irregularidades financeiras e se declarou culpado de outras duas, recebendo uma sentença de 7 anos e meio de prisão. O conselheiro de longa knowledge de Trump, Roger Stone, foi condenado em 2019 por sete acusações de mentira ao Congresso, obstrução e adulteração de testemunhas e sentenciado a mais de três anos de prisão. Mais tarde, Trump usou o seu poder executivo de clemência para perdoá-los. O ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, declarou-se culpado por mentir ao FBI. Trump também perdoou Flynn.
Na altura, a Câmara dos Representantes, liderada pelos democratas, impeachment de Trump por duas vezes depois de Mueller ter terminado o seu trabalho, embora essas ações não tenham surgido das conclusões do procurador especial.
Uma agência em crise
Nomeado pelo presidente republicano George W. Bush para chefiar o FBI, Mueller assumiu o cargo de diretor uma semana antes dos ataques de 11 de setembro nos EUA por militantes da Al Qaeda usando aviões sequestrados que mataram cerca de 3.000 pessoas. O presidente democrata Barack Obama posteriormente prorrogou a nomeação de Mueller. Quando Mueller deixou o cargo, seu mandato foi superado apenas pelo mandato de 48 anos de J. Edgar Hoover.
Mueller foi creditado por transformar a principal agência de aplicação da lei dos EUA depois que o Congresso e uma comissão governamental independente determinaram que o FBI e a CIA não haviam compartilhado informações antes dos ataques de 11 de setembro que poderiam ter ajudado a evitá-los. Mueller transformou o FBI numa agência centrada na proteção da segurança nacional, além da aplicação da lei, investindo mais recursos em investigações antiterroristas e melhorando a cooperação com outras agências dos EUA.
Ele colocou sua carreira em risco em 2004, quando ele e Comey, então vice-procurador-geral, ameaçaram renunciar quando funcionários da Casa Branca de Bush tentaram reautorizar um programa de espionagem doméstica que o Departamento de Justiça considerou inconstitucional. Os dois correram para um hospital em Washington e impediram que os principais assessores de Bush persuadissem o doente procurador-geral John Ashcroft, a recuperar de uma cirurgia à vesícula biliar, a reautorizar o programa de vigilância.
Comey sucedeu Mueller como diretor do FBI em 2013, apenas para ser demitido por Trump.
Nascido em uma família rica de Nova York, Mueller cresceu fora da Filadélfia, formou-se na Universidade de Princeton, fez mestrado na Universidade de Nova York e ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, servindo como oficial por três anos, lendo um pelotão de rifles no Vietnã e recebendo honras, incluindo a Estrela de Bronze e o Coração Púrpura.
Mueller então se formou em direito pela Universidade da Virgínia e mais tarde tornou-se promotor federal e chefiou a divisão legal do Departamento de Justiça, supervisionando casos, incluindo o processo contra o chefe do crime John J. Gotti e a investigação sobre o atentado ao vôo 103 da Pan Am sobre a Escócia, antes de Bush o escolher para liderar o FBI.
“Ele realmente odeia os bandidos”, disse o ex-governador de Massachusetts William Weld, que precedeu Mueller como procurador dos EUA em Boston, ao New York Instances em 2013.
Mueller e sua esposa, Ann, tiveram duas filhas.













