Correspondente da TOI de Washington: Numa publicação repleta de palavrões nas redes sociais, digna de um lutador de rua vulgar, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no domingo lançar fogo infernal sobre o Irão se este não abrisse o Estreito de Ormuz, chamando os seus líderes de “loucos idiotas”.” “Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo em um só lugar, no Irã. Não haverá nada igual! Abra a porra do Estreito, seu maluco, ou você estará vivendo no Inferno – APENAS ASSISTA! Louvado seja Alá”, postou Trump no Domingo de Páscoa, um feriado cristão significativo, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, três dias após sua crucificação.
O tom e a linguagem da postagem foram tão vis e inesperados que os meios de comunicação verificaram se o presidente dos EUA realmente havia postado tal mensagem, apenas para confirmar que ele o fez. Parecia haver um ar de desespero no posto de Trump, apesar de ter resgatado um aviador americano preso no deserto iraniano numa operação ousada apenas algumas horas antes, com alguns analistas americanos a supor que ele estava a ficar frustrado por não ser capaz de dominar o Irão. Numa entrevista telefónica à Fox Information após a sua postagem, Trump disse que esperava fazer um acordo com o Irão amanhã (segunda-feira) e que a sua equipa estava a negociar com alguns líderes iranianos que tinham sido anistiados. “Se eles não fizerem um acordo e rápido, estou pensando em explodir tudo e assumir o controle do petróleo. Veremos pontes e usinas de energia caindo por todo o país”, disse Trump.Mas o Irão insultou Trump de forma desafiadora em publicações nas redes sociais dos seus meios de comunicação estatais, sugerindo que não há conversações oficiais e que os interlocutores dos EUA podem estar a falar com forças que Washington esperava que derrubassem o regime dominante no Irão. Numa publicação anterior, Trump alertou o Irão que faltavam “48 horas até que todo o Inferno reine (sic) sobre eles”, sinalizando a possibilidade de ataques ampliados às infra-estruturas iranianas que o furioso Presidente dos EUA parece favorecer. As forças dos EUA já atacaram uma ponte importante que liga Teerão a Karaj – um vídeo que Trump publicou – com os meios de comunicação iranianos a relatarem vítimas civis. Funcionários da administração terão discutido novos ataques a centrais eléctricas e redes de transporte, argumentando que tais alvos têm valor militar de dupla utilização, apoiando a logística de mísseis e drones.A estratégia emergente dos EUA provocou um vigoroso debate nos círculos políticos e jurídicos, com os críticos alertando que tal abordagem correrá o risco de resultar numa punição colectiva da população civil do Irão. Quaisquer ataques generalizados a infra-estruturas poderão ter consequências humanitárias devastadoras para uma população iraniana já sofrida. Mas os apoiantes do Pentágono argumentam que a guerra moderna confunde cada vez mais a linha entre as infra-estruturas civis e militares, argumentando que a degradação destes sistemas é essencial para limitar a capacidade de Teerão de travar a guerra e desenvolver armas avançadas, incluindo drones e mísseis que têm atormentado os EUA e Israel. Os EUA também atacaram fábricas de aço no Irão. Os opositores argumentam que tais ataques correm o risco de violar o direito humanitário internacional, especialmente os princípios da proporcionalidade e da distinção. Alertam também que visar infra-estruturas pode sair pela culatra estrategicamente, endurecendo a opinião pública iraniana e fortalecendo a determinação do regime. A comunidade internacional também parece inquieta, com analistas europeus a expressarem preocupação com a dinâmica da escalada, enquanto as organizações humanitárias alertam para os efeitos em cascata nos sistemas de água, saúde e abastecimento alimentar.













