As negociações entre os Estados Unidos e o Irão foram interrompidas sem acordo, após 21 horas de maratona de conversações em Islamabad, uma vez que ambos os lados não conseguiram colmatar diferenças profundas, apesar do envolvimento ao mais alto nível em décadas. Embora ambos os países tenham indicado que as discussões podem continuar, divergências acentuadas sobre os compromissos nucleares, o alívio das sanções e o controlo regional impediram qualquer avanço imediato.
Aqui estão cinco razões principais pelas quais as negociações falharam:
- 1. Profunda divisão sobre o programa nuclear do Irão: O ponto central de discórdia continuou a ser a exigência de Washington de garantias firmes de que o Irão não prosseguirá a capacidade de possuir armas nucleares. Os Estados Unidos pressionaram por restrições rigorosas ao enriquecimento e ferramentas relacionadas, enquanto Teerão resistiu ao que considera restrições excessivas aos seus direitos soberanos.
- 2. Disputa sobre alívio de sanções e ativos congelados: O Irão exigiu a libertação de activos congelados detidos no estrangeiro, incluindo fundos no Qatar e noutros países, como parte de qualquer acordo. Contudo, as autoridades norte-americanas negaram ter concordado com tais termos, expondo uma clara lacuna nas expectativas em relação às concessões económicas. ‘
- 3.
Controle do Estreito de Ormuz e tensões marítimas: O controlo sobre o estratégico Estreito de Ormuz emergiu como um importante ponto de conflito. O Irão procurou maior autoridade, incluindo a capacidade de cobrar taxas de trânsito, enquanto os Estados Unidos insistiram em garantir o transporte international gratuito através da rota, que transporta cerca de 20% do abastecimento energético mundial. - 4. Exigências regionais mais amplas e reparações de guerra: Teerão alargou o âmbito das negociações exigindo reparações de guerra e um cessar-fogo completo em toda a região, incluindo no Líbano. Os EUA, no entanto, continuaram concentrados em objectivos mais restritos, particularmente nas restrições nucleares e na segurança marítima, conduzindo a um desfasamento de prioridades.
- 5. Défice de confiança e ambiente de negociação volátil: As negociações foram marcadas por tensões flutuantes e desconfiança mútua, com as autoridades descrevendo “mudanças de humor” e aumento de ânimo durante as discussões. A delegação do Irão chegou trazendo lembretes simbólicos das vítimas civis, enquanto ambos os lados se acusavam mutuamente de inflexibilidade, complicando ainda mais o progresso.
Apesar da falta de acordo, o Irão disse que “as negociações continuarão apesar de algumas diferenças remanescentes”, sinalizando que a diplomacia permanece aberta. No entanto, com as posições ainda distantes e o cessar-fogo frágil, o resultado das negociações futuras será essential para determinar se as tensões diminuirão ou aumentarão ainda mais.









