Local implorando por reforma: Mulher prende e quase quebra o pé no Cais de Turismo, que passou da hora de receber atenção do governo e dos empresários

Que o Cais de Turismo precisa de uma reforma, é consenso na cidade há muito tempo. Em um vídeo de 45 anos atrás, é possível ver que o Cais mudou muito pouco desde então, e há muito tempo não recebe a atenção que deveria receber. Mais do que injusto com um local que concentra grande parte dos visitantes da cidade diariamente. São poucos os que vem a Paraty e não fazem um passeio de escuna, e por um bom motivo: A baía de Paraty é lindíssima. Mas há outras questões que precisam ser discutidas.

Eu sou da opinião que as escunas jamais deveriam ter restaurantes à bordo, e pelo que tenho me informado, isso só acontece por falta de fiscalização. Um verdadeiro absurdo. Por um lado, a Vigilância Sanitária proíbe itens de madeira na cozinha, por outro, fecha os olhos para cozinhas colocadas em barcos que são inteiramente de madeira. O restaurante a bordo é, além de anti-higiênico, uma concorrência desleal com os outros restaurantes da cidade. Toda uma rede de comércios nas ilhas, praias e no Centro Histórico perdem com esses restaurantes, e muitos se tornam inviáveis. E ainda há as perguntas difíceis: Onde são despejados os dejetos dos barcos?

A constante variação nos preços das passagens é outro problema. Sem uma instituição forte controlando e centralizando as vendas, o valor das passagens é mantido por acordos tácitos, muitas vezes controlados apenas pela boa vontade dos escuneiros. Uma passagem com valor baixo demais, atrai um turista com ticket médio baixíssimo.

Além disso, estimula a superlotação dos barcos, que passam a tentar levar o maior número de passageiros possível na esperança de conseguirem algum lucro com o consumo dos passageiros que pague o combustível empregado no passeio. Com isso, quem acaba sofrendo mais são os marinheiros que fazem passeios com pequenos barcos – os tradicionais barqueiros de Paraty.

Embora o sistema de vendas que chegou a ser implantado na cidade tivesse previsão de venda direta pela internet, ele nunca chegou a funcionar na prática com essa função, e quando foi desativado, tudo ficou ainda mais difícil. Poucas escunas oferecem seus passeios online, cada uma com um sistema próprio, o que gera bastante confusão na hora da compra pela rede.

A prefeitura sinaliza que as melhorias finalmente começarão a ser feitas, e o Secretário de Turismo Edson Moura informa que dois novos flutuantes já estão em fase de implantação, ampliando a área útil do Cais. Além disso, outras reformas deverão ser feitas. Mas será que é justo cobrarem melhorias apenas da prefeitura?! Claro que é preciso que o poder público invista no Cais, que é uma verdadeira vitrine de Paraty para o turista. Mas porque não fazer um convênio onde as empresas que tiram dali seu lucro, invistam também nas melhorias do local?

Chegar de cadeira de rodas no Cais, por exemplo, é um parto. Além disso, os vãos afastados entre as vigas do cais são um grande risco não só para quem passa ali a pé, mas ainda mais para quem tem dificuldades com a assessibilidade. Grandes empresas nasceram e floresceram no Cais. A Paraty Tours virou referência em turismo de qualidade. A Estrela Da Manhã já tem tantas escunas, passeios e pousadas na cidade, que começa a se tornar difícil saber onde começa e termina o grupo. Porque essas empresas não investem um centavo no Cais, enquanto mantém restaurantes nas escunas, e utilizam o cais como estacionamento? Será que é tão difícil para elas perceber que um Cais melhor significaria um aumento no lucro para todos – inclusive eles?

Este aliás, é outro problema do Cais. As empresas estacionam o barco, e os deixam passar a noite amarrados ao Cais, e isso traz diversos problemas. Além de forçar a estrutura ao utilizar o cais como ponto de amarra, elas utillizam o cais como ‘garagem’ para os barcos, impedindo que ele possa ser utilizado por viajantes e para o embarque e desembarque como deveria. O correto seria os barcos passarem a noite amarrados em poitas, ou atracados em alguma marina, e utillizarem o cais apenas para embarque e desembarque. Gatos na água e na luz são outro problema constante no cais, e além do risco de incêndio com as precárias instalações elétricas, há um desperdício constante de água por torneiras mal fechadas e ‘gambiarras’ que nem deveriam existir.

Problemas na documentação de barcos, e falta de fiscalização da marinha é outro problema bastante mencionado por quem frequenta o local. Mas a grande maioria concorda, que antes de mais nada, deveria haver uma grande operação da Vigilância Sanitária no local. A curto prazo, essas medidas de fiscalização podem até incomodar alguns, mas é preciso entender que a médio e longo prazo, ou Paraty cuida do Cais, ou poderá dizer adeus à uma de suas mais belas e populares atrações – o passeio de barco na baía de Paraty.

Confira o vídeo que mostra uma mulher sendo resgatada na chuva após prender o pé no largo vão entre as vigas do cais. Segundo informações, ela teria quase quebrado o pé. O vídeo foi compartilhado na página da AEP – Associação de Escunas de Paraty. Tentamos entrar em contato com a AEP para obter maiores informações, mas o link “Fale Conosco” da página deles ainda aponta para o extinto serviço do ticketparaty.com.br, cujo site nem está mais no ar.

Perde o turista, perde Paraty, perdemos você, eu, ele, todos nós – que vivemos do turismo na cidade. Não está na hora de fazer algo?!

 

 

 

 

 

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Zé do Povo

Arredio, inquieto, mas um defensor árduo da justiça, Zé do Povo é o que o nome diz. Um cara do povo, que prefere não se expor, mas quer expor todos os problemas da cidade.

3 comentários em “Local implorando por reforma: Mulher prende e quase quebra o pé no Cais de Turismo, que passou da hora de receber atenção do governo e dos empresários

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    22 de janeiro de 2019 em 12:04
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    Ver art. 27, inciso IV, da Lei nº 10.233/2001 e ler a RESOLUÇÃO Nº 3.290-ANTAQ, DE 13 DE FEVEREIRO DE 2014. Esta é a solução para o Cais de Paraty. Transformá-lo numa Instalação Portuária de Turismo – IPTur: instalação portuária explorada mediante autorização e utilizada em embarque, desembarque e trânsito de passageiros, tripulantes e bagagens, e de insumos para o provimento e abastecimento de embarcações de turismo. Na verdade, uma IPTur do tipo IPTur Plena, ou seja, que realiza embarque, desembarque e trânsito de passageiros, tripulantes e bagagens diretamente em embarcações de turismo.

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    23 de janeiro de 2019 em 21:23
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    Gosto de seus artigos são bem informativos, vendo que muitas pessoas buscam alguma informações relevantes assim. parabéns.

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    23 de janeiro de 2019 em 23:08
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    E essa capitania dos portos em paraty,eles estão de férias.

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