FLIP 2019 – Flip se espalha pela cidade e se torna a melhor edição do evento!

Até São Pedro ficou apaixonado pela edição 2019 do evento mais amado de Paraty – a Flip! Uma série de dias com sol e pouquíssimas nuvens garantiram o visual perfeito! Mas há de se dizer, a FLIP 2019 foi muuuuuuuito mais que belos dias de tempo bom. Se a programação oficial, recheada de atrações, já cativava qualquer amante de leitura, foram as atrações paralelas que alçaram o evento a um novo nível. Dezenas de ‘Casas’, como foram chamados os participantes independentes, cada uma com sua própria programação, chegaram a deixar os visitantes angustiados de tanta coisa interessante que havia para ver! “- É impossível acompanhar tudo que eu quero” era uma frase recorrente na boca dos visitantes.

Enquanto a programação oficial e mais de duas dezenas de Casas independentes aconteciam de um lado do rio Perequê-Açu, do outro o movimento também era grande: Eventos como o Ocupa Paratii, o espaço de alimentação montado com os carrinhos da cidade e alguns trailers maravilhosos como o do Sushi Deki – que serviu sem dúvida nenhuma, o melhor hamburguer (de peixe!!!) do evento, a grande carreta de shows da EDP e o incrível barco pirata da Flipei, que atraiu milhares de pessoas ao trazer Glenn Greenwald, faziam com que as pessoas circulassem bastante e traziam atrações pra todos os gostos e idades.

O fim de semana de tempo bom fez com que até as escunas tivessem um movimento acima do normal – a Flip é considerada um evento fraco para as escunas, já que os visitantes preferem ficar nas proximidades do Centro Histórico durante o evento. Questionada sobre o fluxo de visitantes durante o evento, a Associação das Escunas de Paraty informou:  “A FLIP, pelo propósito e natureza do evento não agrega para o passeio de escuna. Entretanto, reconhecemos sua importância e magnitude para a nossa cidade. (Estadia, restaurantes e comércio).”

Já Sebastian Buffa, dono de uma das maiores e mais respeitadas agências da cidade, a Paraty Tours, relatou uma ocupação média de 60% em seus passeios turísticos. “Claro que o ideal seria 100%, mas considerando que se trata da Flip – um evento historicamente fraco em termos de venda de passeios – foi uma ocupação excelente e acima da média” afirmou o empresário.  Já entre os donos de restaurantes e pousadas, é difícil encontrar alguém insatisfeito. Todos tiveram uma movimentação excelente!

Um traço importante a ser citado também é o carinho que a equipe da FLIP tem com a cidade. Vi pessoalmente a preocupação de Kadu Rocha e sua equipe em assegurar que tudo voltasse ao lugar após o evento. Além de dar sua garantia pessoal aos comerciantes que foram realocados durante o evento de que voltariam a seus pontos originais após a FLIP – como Daniel, da Kombi Sebo ao lado da Matriz – ele ainda garantiu que a quadra, onde foi instalada a biblioteca e foi necessário fazer alguns furos para prender a estrutura, não só seria devolvida à cidade com os furos tampados de forma correta, com um material mais forte que concreto, como também que seria novamente toda pintada. E escutei dezenas de histórias similares de outros moradores da cidade, todos satisfeitos com a preocupação da esquipe da FLIP em deixar tudo perfeito, durante e também após o evento.

Segundo a organização da Flip, só a hashtag #flip2019 foi utilizada mais de 2 milhões de vezes. O evento implicou ainda em 197 contratações diretas e 255 indiretas, e isso falando apenas dos números do evento oficial. Vale mencionar ainda que dos 5 autores mais vendidos durante a Flip, 4 são negros e um é indígena.

Mudança positiva: 4 Negros e 1 indígena encabeçam lista de livros mais vendidos!

O livro mais vendido foi Memórias da Plantação – Episódios de Racismo Cotidiano da portuguesa Grada Kilomba. Além de sua apresentação no evento principal, Grada também foi atração no concorridíssimo papo com Conceição Evaristo, que aconteceu na Casa de Poéticas Negras. Uma mudança e tanto, que dá gosto de ver!

Horizonalização marca evento e deveria ser replicada em outros eventos da cidade

A meu ver, o que realmente tem trazido um diferencial para a Flip é o crescimento de atrações paralelas às da organização principal do evento. Literalmente acreditando no evento, dessa vez foram mais de duas dezenas de casas, além do Sesc, trazendo uma ampla seleção de atrações. Só o Sesc trouxe mais de 100. E se por um lado, eventos maiores como o show de Adriana Calcanhoto na EDP (podiam ter colocado um palco mais alto, ninguém a viu no meio de tanta gente) e de Chico César no Sesc atraíram um grande público, outros eventos das casas independentes não fizeram por menos.

No sábado, a fila para assistir a palestra de Conceição Evaristo na Casa de Poéticas Negras por exemplo, passava de 300 pessoas.  Sequer metade conseguiu entrar no espaço, mas mesmo assim, não houve tumulto. Coisas da platéia educada que frequenta a FLIP. Ao mesmo tempo, a Casa Gastromar realizava um concorrido sarau, e dezenas de outras Casas traziam atrações atraentes. O Gastromar aliás, recebeu a presença de diversos vips, entre eles, Zeca Camargo, Mariana Ximenez e Heloísa Perissé.

Mais cedo, era lançada na Casa da Cultura uma série de minidocumentários sobre personalidades de Paraty, entre eles um da minha sócia, Roberta Pisco, que conta a história de Angeli dos Temperos, uma pessoa doce e cativante, que conquista a cidade – e o paladar de chefs renomados como Ana Bueno e Bernardo Arthuzo –  com seus temperos caseiros. Falaremos mas sobre eles nos próximos dias! . Já a espetacular palestra de Glenn Greenworld na sexta-feira já recebeu seu próprio post.

Esse modelo, em que moradores locais alugam locais e casas e criam suas próprias programações paralelas a de um grande evento, a meu ver, deve ser incentivado e replicado. Ele possibilita uma distribuição de renda muito melhor na cidade, ao mesmo tempo em que cria atrações para públicos variados, tornando o evento principal ainda mais interessante. Depois do marasmo característico dos meses de maio e junho, um alívio e tanto para muitos comerciantes!

Não é difícil para mim imaginar várias Casas independentes funcionando nos moldes que funcionaram tão bem durante essa Flip, também durante o Mimo, ou o Bourbon, por exemplo. Elas podem trazer exposições, gastronomia, pocket shows, saraus…  Que tal expandirmos essa idéia?!

Foi uma FLIP maravilhosa, e que venham muito mais!

 

guidonietmann

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Guido Nietmann é fotógrafo, e mora há desde 2012 anos em Paraty. Em parceria com a fotógrafa Roberta Pisco, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em fotografia imobiliária, gastronômica, fotografia aérea, fotografia de produtos e que atua também com ensaios, além de responsável pela criação do Projeto Eu Amo Paraty. Apaixonado por Paraty, não se cansa de retratar as belezas da cidade e nutre uma paixão  especial pela Igreja de Santa Rita! Contato e mais informações: www.fotosincriveis.com.br

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