FAZENDO SOM (HugoBrasarock)

Existem termos que eu odeio. Eis alguns deles: ´Pop-rock’. Penso em tentar o suicídio quando vejo que fizeram um cartaz de um show meu escrito: “Hugo Brasarock”, dia x, no local y, às tantas horas. O melhor do POP-ROCK”. Que porra é essa de Pop-Rock? Eu toco MPB!
E quando eu comecei a dar aulas de música na escola dos meus filhos? Montei uma espécie de banda com a galerinha kid, preocupado em influenciá-los com boa música nesse mundo maldito de música ruim (já dizia Milton Nascimento). As professoras e diretora insistiam em usar o termo ‘MUSICALIZAÇÃO’. “Gente, esse é o professor de MUSICALIZAÇÃO!” Eu nem sei se existe essa palavra. Mas tratar o ensaio da banda com esse nome é algo como dizer à namorada ou esposa: “Amor, vamos ter RELAÇÃO SEXUAL?”
O último e mais detestável termo musical que me desperta os instintos mais violentos e me fazem querer arrancar os cabelos que não possuo é o ‘FAZER SOM’. Já ouvi até músicos dizendo: “vou FAZER SOM no bar da esquina…” Argh! FAZER SOM??? Se ainda tivesse o ‘UM’, configurando a simpática gíria: ‘Vou fazer UM som’, ainda vai. Mas FAZER SOM mostra que o próprio músico se acha indigno de afirmar seguramente que vai SE APRESENTAR, ou FAZER UM SHOW, ou simplesmente, VOU CANTAR E TOCAR ali.
Qualquer furadeira, britadeira ou pistoleira são capazes de FAZER SOM. Nós fazemos MÚSICA, ARTE, SHOW, PERFORMANCE. Escolha um.
A arte é sublime. E os termos pejorativos estão enraizados, assim como aqueles usados pelos racistas ou homofóbicos, que acham que não os são. Vamos agir em prol à evolução linguística. Ouça o SOM da razão! E faça esse som acontecer como música!

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Hugo Brasarock

Hugo Brasarock é um músico premiado em alguns festivais de MPB Brasil afora, compositor, poeta e escritor, é autor do livro A Lenda da Velha Barrageira, que conta a história de uma lenda urbana de Ilha Solteira, sua cidade natal. Professor de Inglês e de Literatura, atualmente leciona em dois colégios de Paraty.