Esta tarde abri o Instagram no meu celular. O que vi fez minha pele arrepiar.
Uma foto em preto e branco do criminoso sexual condenado Harvey Weinstein olhando para mim, com uma manchete em letras maiúsculas dizendo: “A entrevista com Rikers”.
Fiquei horrorizado. Eu não conseguia acreditar que qualquer publicação, muito menos uma tão conceituada como o The Hollywood Reporter, pudesse falar com um homem tão desgraçado, tão deplorável e tão legitimamente afastado da indústria na qual fez o seu nome.
Sei que há muita ironia em escrever sobre uma entrevista que não acredito que deveria ter acontecido.
Mas no meu trabalho como jornalista de entretenimento, não period algo que eu achasse que pudesse ignorar. Cliquei no hyperlink para encontrar a entrevista completa no website do THR e, ao rolar para baixo, lendo com a testa franzida, pude sentir meu sangue se aproximando rapidamente do ponto de ebulição.
Não sei o que esperava desta entrevista. Eu não deveria ter ficado surpreso com o fato de Weinstein estar basicamente chorando ‘Ai de mim’, lamentando que seu legado tenha sido manchado e que muitos de seus ex-amigos da lista A de Hollywood tenham cortado contato com ele.
Mas no ano de 2026, apenas alguns dias depois do Dia Internacional da Mulher, tive dificuldade em manter a compostura na minha secretária, lendo os comentários que ele fez há apenas dois meses, na prisão.
Esta entrevista ocorreu em janeiro, com o editor-chefe do THR, Maer Roshan, viajando para Rikers Island, em Nova York, onde Weinstein está encarcerado.
Algumas coisas ficam bastante claras nesta entrevista. Em primeiro lugar, Weinstein parecia pensar que tudo correu muito bem. “Você precisa divulgar isso brand”, disse Weinstein ao entrevistador Maer Roshan enquanto period levado para fora da sala.
Isso não está certo
Em 25 de novembro de 2024 Metrô lançou This Is Not Proper, uma campanha para enfrentar a implacável epidemia de violência contra as mulheres.
Com a ajuda dos nossos parceiros da Girls’s Support, This Is Not Proper pretende lançar luz sobre a enorme escala desta emergência nacional.
Você pode encontrar mais artigos aquie se quiser compartilhar sua história conosco, envie-nos um e-mail para vaw@metro.co.uk.
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Isso está dando vibrações ao príncipe Andrew depois de sua reunião com Emily Maitlis, quando ele aparentemente sentiu que tudo havia corrido bem.
E em segundo lugar, o homem de 73 anos parece ter uma relação tênue com a responsabilização. Ele se esforça para enfatizar que sente muito por trair suas esposas (ambas) e pede desculpas às mulheres que apresentaram acusações contra ele ‘em geral’, dizendo: ‘Eu não deveria ter estado com elas em primeiro lugar. Eu os enganei.
Mas ele também nega ser um estuprador ou que tenha abusado sexualmente de qualquer mulher. Em vez disso, ele tenta alegar que period uma espécie de lotário que flertava demais, apesar de mais de 100 mulheres fazerem acusações contra ele.
‘Será que eu abordei algumas dessas mulheres sem sucesso? Eu exagerei na minha mão? Sim. Fui agressivo ou excessivamente sedutor? Sim para tudo isso. Olha, eu nunca deveria ter saído com as pessoas com quem saí. Eu period casado com uma mulher fantástica que não tinha ideia do que eu estava fazendo. Eu menti o tempo todo. Usei indevidamente minha equipe para esconder essas coisas. Mas eu já agredi sexualmente uma mulher? Não. Eu nunca fiz isso”, disse ele.
Em 2023, Weinstein foi condenado a 16 anos de prisão por estupro e agressão sexual. Ele continuou a negar as acusações.
Ele já havia sido condenado em 2020 por acusações de ato sexual criminoso em primeiro grau e estupro em terceiro grau, com pena de 23 anos de prisão, mas essa condenação foi anulada quatro anos depois.
O novo julgamento de 2025 terminou com um veredicto misto. Ele foi considerado culpado de ato sexual criminoso em primeiro grau contra uma mulher e absolvido da acusação de agressão sexual envolvendo outra mulher. A terceira acusação resultou na anulação do julgamento.
Muito se tem falado sobre como Weinstein conseguiu evitar as acusações e silenciar os seus acusadores, e as pessoas que lhe permitiram fazê-lo. A certa altura, Roshan perguntou-lhe: ‘Você mencionou que sua equipe ajudou a cobrir você. Alguns deles acompanhavam as jovens até o seu quarto, sabendo perfeitamente o que as esperava lá. Eles não merecem alguma responsabilidade por isso?’
O que fazer se você foi estuprada
Se você foi vítima de estupro, recentemente ou historicamente, e está procurando ajuda, existe apoio disponível.
- Se você foi estuprada recentemente e ainda corre risco, ligue para 999 e peça para chamar a polícia. Caso contrário, o primeiro passo é ir a algum lugar seguro.
- Se você quiser denunciar seu estupro à polícia, ligue para 999 ou para a linha não emergencial da polícia no número 101. Um Defensor Independente de Violência Sexual (ISVA) estará frequentemente disponível para ajudá-lo durante a denúncia e mesmo depois de você ter feito uma declaração, você ainda pode decidir retirar-se do processo de justiça felony a qualquer momento.
- Se você planeja ir à polícia, se possível, não lave a roupa, nem tome banho, tome banho ou escove os dentes. Se você se trocar, guarde as roupas que estava usando em um saco plástico. Essas etapas ajudarão a preservar qualquer evidência de DNA que seu agressor possa ter deixado em seu corpo ou em suas roupas.
- Se você não quiser entrar em contato com a polícia, Rape Disaster sugere conversar com alguém de sua confiança sobre o que aconteceu; ou você pode ligar para uma das muitas linhas de apoio sobre estupro e agressão sexual do Reino Unido.
- Qualquer pessoa com mais de 16 anos pode entrar em contato com a Linha de Apoio 24 horas por dia, 7 dias por semana da Rape Disaster, ligando para 0808 500 2222 ou iniciando um bate-papo on-line.
- Se você se feriu, é melhor ir ao pronto-socorro mais próximo para procurar tratamento médico. Se você não estiver ferido, pode ir ao Centro de Referência de Violência Sexual (SARC) mais próximo. O NHS tem informações sobre onde encontrar o centro mais próximo aqui.
- Se o seu estupro for histórico, você ainda poderá ter acesso ao apoio, inclusive da polícia – não há limite de tempo para denunciar e sua conta ainda pode ser usada como prova.
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Ele começou sua resposta afirmando: ‘Não. Só há uma pessoa culpada. Sou eu… É tudo por minha conta. Mas, em vez de deixar por isso mesmo, ele advertiu: ‘Mas direi que quando um cara convida você para seu quarto de resort no meio da noite, você sabe o que está na agenda.’
Não. Uma mulher tem o direito de dizer não aos avanços de um homem a qualquer momento. Como todos ouvimos desde que o movimento MeToo provocou ondas gigantescas em todo o mundo, havia jovens mulheres na indústria que sentiam que não tinham outra escolha senão aceitar convites para reuniões em quartos de resort, para não prejudicarem as suas hipóteses de progredir nas suas carreiras.
Isso não significa que eles estavam cientes ou aceitavam que seriam submetidos a avanços sexuais. Nunca há uma desculpa.
Segundo Weinstein, atrizes como Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie fazem parte de um ‘clube’ que queria destruí-lo. Não, Weinstein. Você se destruiu.
Houve muito progresso desde o início do movimento MeToo, mas ainda há muito mais a fazer. As pessoas que criticam a existência desta entrevista têm todo o direito de fazê-lo.
Uma coisa que retiro disso, além da fúria do pôquer, é que Weinstein não aprendeu nada com sua queda em desgraça, quase uma década depois que as acusações apareceram pela primeira vez no The New York Occasions e no The New Yorker.
Apesar de eu não saber o que esperar desta entrevista quando comecei a lê-la, após refletir, eu deveria saber que não deveria esperar nada melhor.
Não deste monstro impenitente.
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