Enquanto a população busca maneiras de se proteger das recentes ondas de frio intenso, especialistas do setor agropecuário voltam as atenções para a capacidade natural do gado de enfrentar as baixas temperaturas. Travis Meteer, especialista em gado de corte da Extensão da Universidade de Illinois, explica que, ao contrário dos humanos, os bovinos possuem um “aquecedor embutido” que lhes confere uma resistência impressionante. Essa proteção biológica é formada por uma pelagem densa combinada a uma espessa camada de gordura isolante, mas o verdadeiro segredo está no processo digestivo desses animais.
O motor interno dos ruminantes
Meteer destaca que a fisiologia dos ruminantes desempenha um papel crucial na termorregulação. O rúmen, um dos quatro compartimentos do estômago bovino, funciona como uma câmara de fermentação. Durante a digestão das fibras, esse processo químico gera calor endógeno, mantendo o animal aquecido de dentro para fora. É por isso que ver vacas cobertas de neve no campo não deve ser motivo de pânico, mas sim um sinal positivo; a presença da neve intacta indica que o calor corporal não está escapando através da pele, provando que o isolamento térmico do animal está funcionando com eficiência máxima.
No entanto, o especialista alerta que o manejo precisa ser ajustado quando os termômetros caem abaixo de -7°C (aproximadamente 19°F). Nessas condições extremas, os produtores devem redobrar a atenção, garantindo alimentação de alta qualidade para sustentar o metabolismo energético, além de oferecer proteção contra o vento e cama seca para o rebanho descansar.
Perspectivas de alta nos preços futuros
A resiliência observada no campo contrasta com a tensão no mercado financeiro, onde a oferta restrita tem impulsionado as cotações. Os contratos futuros de gado vivo para abril (LEJ26) apresentam uma clara tendência de alta, oferecendo oportunidades de compra baseadas na força dos preços. A análise técnica do gráfico diário sugere que os compradores mantêm a vantagem no curto prazo, sustentados por fundamentos sólidos que preocupam o setor de abastecimento.
O relatório recente do USDA sobre o gado confinado reforçou a percepção de que os estoques nos Estados Unidos estão historicamente baixos. Esse cenário de escassez ocorre justamente em um momento em que a demanda do consumidor final por carne bovina permanece robusta, criando uma “receita altista” para os próximos meses. Se os contratos de abril romperem a resistência técnica da máxima de janeiro, situada em US$ 239,05, o mercado poderá ganhar novo fôlego, buscando um objetivo de preço acima de US$ 247,00.
Pontos de atenção para o investidor
Para quem opera nesse mercado, o suporte técnico crucial, onde se recomenda posicionar ordens de proteção de venda (stop loss), encontra-se na mínima de janeiro, em US$ 231,275. É importante ressaltar que, embora a configuração gráfica e os fundamentos apontem para uma valorização, as operações discutidas aqui são hipotéticas e têm caráter analítico. A decisão de entrada e o dimensionamento das posições cabem exclusivamente ao investidor, visto que o mercado de futuros envolve riscos significativos e a gestão de contas reais é de responsabilidade individual.