A Seleção a 100 dias da Copa: O quebra-cabeça de Ancelotti e o fator Neymar

Estamos a exatos 100 dias da Copa do Mundo de 2026 e o cenário na Seleção Brasileira ainda é de muita avaliação. Carlo Ancelotti assumiu a prancheta com o peso de buscar o hexacampeonato, mas a verdade é que o italiano não fechou os seus 11 titulares. Existem disputas abertas em praticamente todos os setores do campo. O calendário não dá trégua e logo cobrará decisões definitivas. No dia 16 de maio, o treinador vai anunciar 26 nomes para a última rodada de testes, que envolverá amistosos contra a França e a Croácia nos dias 26 e 31, nos Estados Unidos. Essa será a prévia antes da divulgação da lista oficial da Copa, marcada para 19 de maio.

O peso do camisa 10

No meio dessa transição tática, nenhuma questão gera tantos debates quanto o papel de Neymar. Aos 34 anos e defendendo o Santos, o craque travou uma longa batalha física após uma grave cirurgia no joelho e ficou sem atuar regularmente desde outubro de 2023. Sua condição clínica será monitorada pela comissão até o último minuto. Ele recentemente deu um respiro de alívio aos torcedores ao marcar duas vezes em uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco.

Para os jogadores, a presença do veterano é indispensável. Rodrygo fez questão de deixar isso claro durante o programa Um Dia Com… da CazeTV. O atacante de 25 anos, hoje um pilar do Real Madrid e da própria Seleção, fez uma defesa apaixonada do ídolo. Na visão dele, a busca pelo sexto título mundial não teria a mesma graça sem a genialidade do maior artilheiro da história do Brasil. O jovem deixou evidente que o vestiário enxerga Neymar como o líder criativo. Ele cravou que a convocação é lógica e não admite discussão, desde que o camisa 10 esteja preparado fisicamente. A pressão agora recai sobre Ancelotti. O italiano tem uma relação de extrema confiança com Rodrygo desde o futebol espanhol e precisará equilibrar esse clamor do elenco com a intensidade que um torneio moderno exige.

A espinha dorsal e o sistema defensivo

Apesar das dúvidas, alguns nomes já podem arrumar as malas. Alisson, Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Raphinha, Vinícius Júnior e Estêvão têm vaga praticamente assegurada, salvo algum imprevisto médico.

No gol, Alisson caminha tranquilo para seu terceiro Mundial consecutivo como dono da posição. A verdadeira guerra acontece no banco de reservas. Bento vive uma fase espetacular no Al-Nassr, enquanto Ederson, titular do Fenerbahçe, tenta recuperar prestígio após cortes recentes. Hugo Souza, com ótimas atuações no Corinthians, e John, buscando espaço no Nottingham Forest, também estão na briga por essas duas vagas restantes.

A zaga tem Marquinhos e Gabriel Magalhães como alicerces. Éder Militão conta com enorme confiança do técnico, uma herança dos tempos de Madri. Nomes de peso no Brasil e na Europa, como Fabrício Bruno do Cruzeiro, Léo Ortiz, Léo Pereira e Danilo do Flamengo, Alex Ribeiro do Lille e Beraldo do PSG, tentam impressionar na reta final.

Nas laterais, a instabilidade é ainda maior. Trata-se do setor que mais sofreu alterações no ciclo. Pela esquerda, Alex Sandro no Flamengo, Caio Henrique do Monaco e Douglas Santos do Zenit acumularam minutos, com Carlos Augusto da Inter de Milão correndo por fora. O lado direito tem Vanderson do Monaco com uma ligeira vantagem. Wesley da Roma e Vitinho do Botafogo foram testados, assim como Paulo Henrique, que não vive um bom momento no Vasco.

A disputa no meio e as pontas do ataque

O meio-campo brasileiro é ancorado por Casemiro, do Manchester United, e Bruno Guimarães, do Newcastle. A ausência de Guimarães na próxima convocação por lesão abrirá um espaço precioso para testes. Andrey Santos, do Chelsea, e Lucas Paquetá, do Flamengo, já foram bastante avaliados e estão bem cotados. Fabinho, atualmente no Al-Ittihad, ressurgiu como uma opção interessante. A briga no setor envolve João Gomes do Wolverhampton e Joelinton do Newcastle, além de destaques em solo nacional como Marcos Antônio do São Paulo, Matheus Pereira do Cruzeiro, Breno Bidon do Corinthians e Matheus Martinelli do Fluminense.

No setor ofensivo, Estêvão e João Pedro, dupla do Chelsea, Matheus Cunha do Manchester United, Raphinha do Barcelona, além de Rodrygo e Vini Jr, despontam como presenças certas. Gabriel Martinelli do Arsenal também aparece em posição confortável. Pelos lados do campo, a concorrência é acirrada. Luiz Henrique do Zenit duela com Antony do Betis e Savinho do Manchester City. A grande novidade nessa faixa do campo é Rayan, que tem tido atuações empolgantes no Bournemouth.

A grande incógnita da camisa 9

A referência do ataque ainda é um mistério. Richarlison é muito querido por Ancelotti, mas enfrenta uma má fase que contagiou todo o time do Tottenham. Endrick largou muito bem no Lyon, só que viu seu rendimento cair recentemente. Igor Jesus, pelo Nottingham Forest, entrou na mira da comissão técnica e divide os olhares com Kaio Jorge do Cruzeiro e Vitor Roque do Palmeiras. O quebra-cabeça precisa ser montado rapidamente, pois a Copa do Mundo já bate à porta.