Foto do arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi (crédito da imagem: AP)
A República Democrática do Congo começará a aceitar cidadãos de países terceiros deportados dos Estados Unidos a partir de Abril, ao abrigo de um novo acordo com a administração Trump, disse no domingo o governo de Kinshasa.Num comunicado, o governo congolês disse que iria receber os deportados a partir do próximo mês, embora não tenha informado quantas pessoas concordou em levar. Acrescentou que o acordo seria totalmente financiado pelos Estados Unidos, sem encargos financeiros para o Congo.
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Segundo a Reuters, o governo também disse que já foram preparadas instalações perto da capital, Kinshasa, para abrigar os deportados.
Acordo chega enquanto EUA expandem rede de deportação na África
O acordo faz do Congo o mais recente país africano a ser atraído para o uso crescente por parte de Washington das chamadas deportações de países terceiros, uma política ao abrigo da qual os migrantes são enviados para países diferentes do seu para acelerar as remoções dos EUA.O Congo tem estado em conversações com a administração Trump sobre tal acordo, com discussões também descritas por fontes da ONU e diplomatas informados por funcionários dos EUA. Nessa fase, os principais detalhes, incluindo o número de migrantes, as suas nacionalidades e o calendário, não tinham sido finalizados.Os Estados Unidos já enviaram deportados de países terceiros para vários países africanos, incluindo Gana, Camarões, Guiné Equatorial e Eswatini, segundo a Reuters.Estes acordos tornaram-se cada vez mais uma parte central da estratégia de imigração linha-dura de Donald Trump, com a administração a procurar mais parceiros estrangeiros à medida que pressiona para acelerar as deportações.
Grupos de direitos humanos e especialistas jurídicos levantam preocupações
O uso crescente de acordos de deportação de países terceiros atraiu críticas de especialistas jurídicos e de grupos de direitos humanos.Os críticos questionaram tanto a base jurídica de tais transferências como o tratamento dispensado aos deportados enviados para países onde não são cidadãos. Em alguns casos, os migrantes foram alegadamente enviados apesar de terem proteções ordenadas pelo tribunal nos Estados Unidos, destinadas a impedir que fossem devolvidos ao perigo.De acordo com o New York Instances, a administração Trump tem procurado discretamente acordos semelhantes com vários Estados africanos, oferecendo frequentemente incentivos como financiamento, isenção de vistos, flexibilização tarifária ou outras concessões diplomáticas em troca.Os diplomatas norte-americanos foram pressionados pela Casa Branca para assegurarem tais acordos mais rapidamente, com comunicações internas sugerindo que os funcionários eram encorajados a perguntar aos governos se aceitariam mais deportados em troca de maior apoio.Alguns migrantes enviados para países terceiros acabaram em centros de detenção ou centros de detenção em locais com maus registos em matéria de direitos humanos, sistemas jurídicos fracos e supervisão limitada.
Acordo com o Congo sobrepõe-se aos minerais e à diplomacia regional
O momento do acordo com o Congo também é significativo.O acordo coincide com um esforço mais amplo da administração Trump para promover um acordo de paz entre o Congo e o Ruanda, garantindo ao mesmo tempo o acesso dos EUA aos minerais críticos congoleses.Essa sobreposição é susceptível de alimentar um maior escrutínio sobre se a cooperação em matéria de migração está ligada a interesses geopolíticos e económicos mais amplos na África Central.Embora o governo congolês já tenha confirmado o acordo, ainda não divulgou publicamente quantos deportados irá acolher ou quais as nacionalidades que poderão estar envolvidas.A Reuters já havia informado, citando uma fonte da Organização Internacional para as Migrações, que o plano em discussão poderia incluir migrantes da América do Sul, incluindo venezuelanos.











