Tseu documentário espanhol sobre a revolução rave dos anos 80 e 90 no Reino Unido tem uma energia semelhante ao arquétipo do “cara das 4 da manhã”: olhos brilhando, tagarelando sem sequência com um entusiasmo estranhamente contagiante. Um panteão de grandes nomes da música eletrônica – incluindo Fabio, os irmãos Hartnoll do Orbital, Slipmatt, Goldie e Leeroy Thornhill do Prodigy – se apresenta para fornecer um testemunho profundo da pista de dança que, embora pudesse ser melhor estruturado, ainda gerencia insights copiosos.
O interesse óbvio do diretor Eduardo Cubillo Blasco na logística da rave – a arte, a promoção, a reserva e uma infinidade de outros aspectos – sugere que ele próprio pode ter tido um ou dois finais de semana perdidos. Quando se tratava das primeiras festas ao ar livre e em armazéns, havia muitas evasivas engenhosas: além de caminhões chamariz para enganar a polícia, alguns organizadores usaram sofismas legais, argumentando que seus eventos não eram ilegais, mas não licenciados; ao mesmo tempo, ao emitir ingressos com canhotos para os ravers preencherem com dados pessoais, muitas reuniões tentaram se qualificar como clubes privados. Em termos de pessoal, as DJs femininas eram escassas – mas originalmente as mulheres dominavam as reservas, até serem deixadas de lado quando ficou claro o quão lucrativa a rave estava se tornando.
Embora o filme desvende habilmente a evolução da cena, desde um emocionante vale-tudo até um grande negócio, sua compreensão do contexto político é menos firme. Thatcher recebe o respeito relutante do chefe da rádio pirata Andy Swallow por neutralizar a cena na década de 1980, coagindo-a a locais fechados – mas parece negligente que não haja menção à Lei de Justiça Felony de 1994, posterior. Cubillo Blasco aborda alguns elementos do poder subversivo da rave (sua atitude livre e fácil em relação à raça; sua alquimização do hooliganismo no futebol em algo positivo) sem apontar a causa exata. Será que o seu hedonismo essencialmente apolítico e a rejeição da violência estrutural do capitalismo foram o que realmente ameaçou o sistema?
O radicalismo não durou (o porquê disso é outra questão pouco explorada aqui). Mas Cubillo Blasco não nos deixa dúvidas sobre a longevidade criativa da rave – mapeando como ela se transformou em breakbeats hardcore e depois em selva. Kris Bones, do Genaside II, diz que a evolução parou aí e tudo o que se seguiu foi mera iteração. Produtores de pace storage, grime e dubstep podem discordar.
Mas se algo demonstra a força da torrente contracultural que jorrava do Reino Unido na altura, é o facto de este documentário ter surgido em Espanha quase 40 anos depois – onde, segundo um entrevistado, a Andaluzia ostenta actualmente a bandeira da electrónica breakbeat. (Há também uma tangente na contribuição de Tenerife, menos anunciada ao lado de Ibiza, para a evangelização européia da rave.) Colcheias cafonas de outrora serão conquistadas pelo cuidado óbvio do aficionado com o qual Cubillo Blasco monta este tributo, que funciona como um lembrete às gerações nativas digitais para manterem a experiência do clube ao vivo.













