Um júri do Novo México determinou na terça-feira (24 de março de 2026) que a Meta prejudicou conscientemente a saúde psychological das crianças e ocultou o que sabia sobre a exploração sexual infantil nas suas plataformas de redes sociais, um veredicto que sinaliza uma mudança de maré contra as empresas de tecnologia e a vontade do governo de reprimir.
A decisão histórica ocorre após um julgamento de quase sete semanas, e enquanto os jurados de um tribunal federal na Califórnia foram isolados em deliberações por mais de uma semana sobre se Meta e YouTube deveriam ser responsabilizados em um caso semelhante.
Os jurados do Novo México apoiaram os promotores estaduais que argumentaram que a Meta – proprietária do Instagram, Fb e WhatsApp – priorizou os lucros em detrimento da segurança e violou partes da Lei de Práticas Desleais do estado.
O júri concordou com as alegações de que a Meta fez declarações falsas ou enganosas e também concordou que a Meta se envolveu em práticas comerciais “inescrupulosas” que se aproveitaram injustamente das vulnerabilidades e da inexperiência das crianças.
Os jurados descobriram que houve milhares de violações, cada uma contando separadamente para uma multa de US$ 375 milhões. Isso é menos de um quinto do que os promotores buscavam.
A Meta está avaliada em cerca de US$ 1,5 trilhão e as ações da empresa subiram 5% nas negociações após o veredicto, um sinal de que os acionistas estavam ignorando a notícia.
A jurada Linda Payton, 38, disse que o júri chegou a um acordo sobre o número estimado de adolescentes afetados pelas plataformas Meta, ao mesmo tempo que optou pela pena máxima por violação. Com uma multa máxima de US$ 5.000 para cada violação, ela disse acreditar que cada criança valia o valor máximo.
O conglomerado de redes sociais não será forçado a mudar imediatamente as suas práticas. Caberá a um juiz – e não a um júri – determinar se as plataformas de redes sociais da Meta criaram um incômodo público e se a empresa deveria pagar por programas públicos para lidar com os danos. Essa segunda fase do julgamento acontecerá em maio.
Um porta-voz da Meta disse que a empresa discorda do veredicto e irá recorrer.
“Trabalhamos muito para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e somos claros sobre os desafios de identificar e remover atores mal-intencionados ou conteúdo prejudicial”, disse o porta-voz. “Continuaremos a nos defender vigorosamente e continuamos confiantes em nosso histórico de proteção de adolescentes on-line.”
Os advogados da Meta disseram que a empresa divulga riscos e se esforça para eliminar conteúdos e experiências prejudiciais, ao mesmo tempo que reconhece que algum materials ruim passa por sua rede de segurança.
O caso do Novo México foi um dos primeiros a chegar a julgamento numa onda de litígios envolvendo plataformas de redes sociais e os seus impactos nas crianças.
Mais de 40 procuradores-gerais estaduais entraram com ações judiciais contra a Meta, alegando que ela está contribuindo para uma crise de saúde psychological entre os jovens ao projetar deliberadamente recursos do Instagram e do Fb que são viciantes.
“O castelo de cartas do Meta está começando a cair”, disse Sacha Haworth, diretor executivo do grupo de vigilância The Tech Oversight Venture. “Durante anos, tem sido evidente que a Meta não conseguiu impedir que os predadores sexuais transformassem as interações on-line em danos no mundo actual.”
Haworth apontou denunciantes como Arturo Béjar, bem como documentos não lacrados e outras evidências, dizendo que isso pintava um quadro contundente.
O caso do Novo México dependeu de uma investigação secreta em que agentes criaram contas nas redes sociais se passando por crianças para documentar solicitações sexuais e a resposta de Meta.
A ação, movida em 2023 pelo procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, também disse que Meta não divulgou nem abordou totalmente os perigos do vício em mídias sociais. A Meta não concordou que exista dependência de mídia social, mas os executivos no julgamento reconheceram o “uso problemático” e dizem que querem que as pessoas se sintam bem com o tempo que passam nas plataformas da Meta.
“As evidências mostram que a Meta não apenas investe em segurança porque é a coisa certa a fazer, mas porque é boa para os negócios”, disse o advogado da Meta, Kevin Huff, aos jurados nas alegações finais. “A Meta projeta seus aplicativos para ajudar as pessoas a se conectarem com amigos e familiares, não para tentar conectar predadores.”
As empresas de tecnologia foram protegidas da responsabilidade pelo conteúdo publicado nas suas plataformas de redes sociais ao abrigo da Secção 230, uma disposição de 30 anos da Lei de Decência nas Comunicações dos EUA, bem como um escudo da Primeira Emenda.
Os promotores do Novo México dizem que a Meta ainda deveria ser responsável por seu papel na divulgação desse conteúdo por meio de algoritmos complexos que proliferam materiais prejudiciais às crianças.

“Sabemos que o resultado é o envolvimento e o tempo gasto com as crianças”, disse a promotora Linda Singer. “Essa escolha que Meta fez tem impactos negativos profundos nas crianças.”
O julgamento no Novo México examinou uma série de correspondências internas e relatórios da Meta relacionados à segurança infantil. Os jurados também ouviram depoimentos de executivos da Meta, engenheiros de plataforma, denunciantes que deixaram a empresa, especialistas psiquiátricos e consultores de segurança tecnológica.
O júri também ouviu depoimentos de educadores de escolas públicas locais que lutaram com perturbações ligadas às redes sociais, incluindo esquemas de sextorção dirigidos a crianças.
Ao chegar a um veredicto, o júri considerou se os usuários das redes sociais foram enganados por declarações específicas sobre a segurança da plataforma feitas pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pelo chefe do Instagram, Adam Mosseri, e pelo chefe world de segurança da Meta, Antigone Davis.
Os jurados também consideraram o fracasso do Meta em impor sua proibição a usuários menores de 13 anos, o papel de seus algoritmos na priorização de conteúdo sensacionalista ou prejudicial e a prevalência de conteúdo de mídia social sobre suicídio de adolescentes.
A ParentsSOS, uma coligação de famílias que perderam filhos devido aos danos causados pelas redes sociais, classificou o veredicto como um “momento divisor de águas”.
“Nós, pais, que vivenciamos o inimaginável – a morte de uma criança por causa de danos nas redes sociais – aplaudimos este marco raro e importante na luta de anos para responsabilizar as Huge Tech pelos perigos que seus produtos representam para nossos filhos”, disse o grupo em um comunicado.
Publicado – 25 de março de 2026, 06h15 IST











